Bolsonaro anuncia André Luiz Mendonça como substituto de Moro no Ministério da Justiça
André Luiz Mendonça será o novo ministro da Justiça e Segurança Pública. Mendonça ocupava o posto de ministro da Advocacia-Geral da União e, agora, será o substituto de Sergio Moro.
A decisão foi publicada no Diário Oficial da União desta terça-feira (28).
Mendonça virou o favorito para assumir a pasta na segunda-feira (27), após críticas em torno do nome de Jorge Oliveira — que era o nome mais cotado até então. Oliveira foi padrinho de casamento e chefe de gabinete de Eduardo Bolsonaro.
O ex-AGU conhece o presidente Jair Bolsonaro desde novembro 2018, quando foi nomeado para o antigo cargo. A indicação de André para a pasta tem respaldo do STF, já que o advogado tem boa relação com o presidente do Supremo, Dias Toffoli. Seu nome também era cotado por Bolsonaro para assumir uma vaga na Corte.
Jose Levi Mello do Amaral Júnior foi nomeado para o cargo de Advogado-Geral da União.
Demissão de Moro
Sergio Moro pediu demissão da pasta nesta sexta-feira (24). Em entrevista coletiva, em Brasília, o ex-juiz federal disse que a exoneração de Maurício Valeixo da diretoria-geral da PF foi uma interferência política do presidente Jair Bolsonaro na corporação.
“Falei ao presidente que seria uma interferência política e ele disse que seria mesmo”, relatou Moro sobre a conversa com Bolsonaro em relação à troca de Valeixo. “O problema não é a questão de quem colocar, é por que trocar e permitir a interferência política na Polícia Federal”, continuou.
Segundo Moro, o presidente Jair Bolsonaro queria que Valeixo fosse substituído por alguém da confiança dele e de quem fosse próximo. “O presidente me disse mais de uma vez que queria uma pessoa do contato pessoal dele, que ele pudesse ligar, colher informações e relatórios de inteligência”, explicou. “Não é o papel da Polícia Federal prestar esse tipo de informação”, defendeu o ex-ministro, citando que nem os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, investigados pela Lava Jato, fizeram isso.
“Ele me disse isso expressamente, pode ou não confirmar, mas não entendi apropriado. Se esse alguém [novo diretor-geral], sendo da corporação e aceitando substituição, não conseguir dizer ‘não’ a uma proposta assim, fico na dúvida se vai dizer ‘não’ em relação a outros temas”, continuou o ex-juiz federal.
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