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Brasil

CEO da Enel diz que só ‘Jesus Cristo’ pode resolver apagões em SP

Flavio Cattaneo explicou que a infraestrutura aérea da rede dificulta controle para evitar blackouts

Júlia Lara

Vista da subestação da empresa Enel localizada no bairro do Limão, na Zona Norte da cidade de São Paulo
Justiça nega pedido da Prefeitura de SP de multa à Enel para restauração imediata de energia BRUNO ESCOLASTICO/E.FOTOGRAFIA/ESTADÃO CONTEÚDO

O CEO do grupo Enel, Flavio Cattaneo, participou do “Enel Capital Markets Day 2026”, evento que aconteceu em Milão, na Itália, nesta segunda-feira (23). Em seu discurso na coletiva de imprensa, o CEO disse que apenas “Jesus Cristo poderia resolver” referindo-se aos casos recorrentes de apagões em São Paulo.

O evento busca apresentar ao mercado as novas ideias e propostas da companhia para os próximos anos. Cattaneo aproveitou para explicar sobre a infraestrutura elétrica da cidade paulistana. Segundo ele, São Paulo tem a rede – quase em sua maioria – aérea, portanto exposta à chuva e arborização, o que dificulta o controle para evitar os blackouts.

Cattaneo, porém, mostrou-se disposto a abrir uma discussão sobre a solução do problema com um eventual aterramento de cabos. O que pode levar mais do que o esperado, pois envolve a liberação do dinheiro para o investimento.

O CEO finalizou o assunto ao dizer que recuperou em 50% o serviço de liberação e aprovação da empresa, afirmando que é preciso uma resolução estrutural para São Paulo.

Outros investimentos e estratégias

O grupo estatal pretende investir cerca de 53 bilhões de euros (63 bilhões de dólares) de 2026 a 2028. Metade do valor será aplicado a redes elétricas e aproximadamente 38% a energias renováveis.

Em sua estratégia anterior de três anos, a Enel tinha planejado investir um capital de 43 bilhões de euros, sendo 60% voltado ao negócio regulamentado de redes elétricas e 28% a projetos de energia verde.

A Enel está interessada em adquirir ativos de energia renovável nos EUA, afirmou Cattaneo, acrescentando que o desenvolvimento da inteligência artificial (IA) deve aumentar a demanda por energia na América do Norte. “Planejamos concentrar nossas fusões e aquisições em ativos já existentes”, disse, pensando nas usinas já em funcionamento ou aprovadas.

A empresa também espera um impacto negativo no lucro líquido do grupo, previsto em uma média de 300 a 400 milhões de euros por ano no período de 2026 a 2028. Já o lucro por ação deve aumentar para 0,80-0,82 euros em 2028, em comparação com os 0,69 euros previstos para 2025.

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