Delator relata detalhes sobre jantar com petistas que envolveu propina de R$ 2 mi
O empresário Ricardo de Lima Assaf relatou, nesta quinta-feira (25), em delação premiada, detalhes de um jantar em Belo Horizonte, em outubro de 2014, que teria reunido lideranças do PT de Minas Gerais, como o ex-governador Fernando Pimentel e o então deputado federal Gabriel Guimarães.
De acordo com Assaf, eles teriam se encontrado para discutir uma propina de R$ 2 milhões, solicitada por um emissário de Guimarães. No jantar, ficou ajustado que Pimentel, então eleito, seria apresentado a dirigentes da empresa Renova Energia S/A.
Operação E o Vento Levou
A delação faz parte da segunda fase da Operação E o Vento Levou, autorizada pela juíza Silvia Maria Rocha, da 2ª Vara Criminal Federal em São Paulo. A investigação trata sobre destinatários de R$ 40 milhões, supostamente desviados da Companhia Energética de Minas (Cemig).
Assaf contou que foi abordado, no evento, por um dos convidados “sobre a possibilidade de se realizar um repasse clandestino”. Ficou acertada, então, entrega de R$ 2 milhões a Guimarães. A investigação da PF diz que os valores foram entregues a um emissário indicado pelo então parlamentar “em uma única vez”.
Um rastreamento promovido pelos auditores da Receita identificou saídas relativas ao montante em uma planilha Excel no computador apreendido em escritório de advocacia ligado ao grupo. O dinheiro saiu de negócio jurídico envolvendo a Renova Energia S/A e a Casa dos Ventos Energias Renováveis S/A.
Segundo a PF, “a pedido de Gabriel Guimarães”, a Renova financiou camarote, transporte e hospedagem para o carnaval do Rio, por R$ 220 mil, a “um grupo seleto de indivíduos convidados de Gabriel e da esposa de Fernando Pimentel”. As tratativas sobre o convite foram registradas em conversas de WhatsApp.
A juíza determinou a quebra de sigilo telefônico de Pimentel.
Defesa
A assessoria de imprensa de Fernando Pimentel informou por meio de nota: “A investigação se debruça sobre fatos anteriores à gestão de Fernando Pimentel no Governo de Minas Gerais. O ex-governador desconhece o caso e não tem nem teve relações com a empresa Renova.”
* Com informações do Estadão Conteúdo
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