Doutor em Teologia e professor: quem é o padre que rejeitou excomunhão do Vaticano
O padre Françoá Rodrigues Figueiredo Costa, de 47 anos, é doutor em Teologia pela Universidade de Navarra, em Pamplona, na Espanha, professor da Faculdade Católica de Anápolis e atua pastoralmente na Paróquia Senhor Bom Jesus, no Setor O da Ceilândia Norte, no Distrito Federal (DF). O sacerdote ganhou repercussão após relatar que não reconhece a excomunhão anunciada pelo Vaticano contra integrantes da Fraternidade Sacerdotal São Pio X e que continuará celebrando missas.
A declaração foi feita em um vídeo publicado no sábado (11) nas redes sociais da Capela Santo Atanásio. Na gravação, Françoá chama as acusações de cisma de “inválidas” e “nulas” e diz que seguirá celebrando diariamente a missa, mantendo a menção ao papa durante a celebração.
No último dia 2, a Santa Sé decidiu excomungar os bispos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X e considerar cismáticos os integrantes do grupo. Segundo o Vaticano, a nomeação de quatro novos bispos pela fraternidade configurou um ato de natureza cismática, por representar desobediência à autoridade da Igreja Católica.
Na Igreja Católica, o termo “cismático” é usado para definir quem rompe a comunhão com a autoridade do papa e com a unidade da Igreja. Segundo o Catecismo da Igreja Católica, o cisma consiste na recusa de submissão ao Sumo Pontífice ou da comunhão com os fiéis que permanecem ligados a ele.
Pivô de toda polêmica, Françoá Costa construiu sua formação acadêmica principalmente na Universidade de Navarra. Além disso, ele é doutor em Teologia Sistemática desde 2011, com pesquisa sobre a teologia do jesuíta francês Jean Daniélou. Antes do doutorado, concluiu o mestrado em Teologia na mesma instituição, em 2009, também voltado aos estudos sobre cristologia e teologia da história.
Além da formação em Teologia, o sacerdote é bacharel em Filosofia, curso concluído em 2001, e obteve licenciatura na área em 2020. Ele também possui licenciatura em Estudos Eclesiásticos, concluída em 2004.
Além da atuação religiosa, Françoá atua há mais de uma década no ensino superior. Desde 2012, é professor da Faculdade Católica de Anápolis, onde também exerceu funções de coordenação do curso de Teologia entre 2015 e 2018 e dirigiu a instituição em 2019.
Ao longo da carreira, Françoá recebeu homenagens concedidas por órgãos públicos de Goiás. Em 2015, foi agraciado com a Comenda Dr. Henrique Santillo pela Câmara Municipal de Anápolis. Em 2018, recebeu a Comenda Gomes de Souza Ramos, concedida pela Prefeitura de Anápolis, e, em 2019, recebeu o título de Cidadão Anapolino da Câmara Municipal.
Entenda a decisão do Vaticano
Na decisão do último dia 2, o Vaticano informou que os ministros da Fraternidade administram os sacramentos de forma ilícita e declarou inválidos os sacramentos da penitência e do matrimônio celebrados por sacerdotes ligados ao grupo.
Em resposta, Françoá diz que não houve um cisma formal nem uma excomunhão válida. No vídeo publicado no último sábado, o padre cita dispositivos do Direito Canônico relacionados ao estado de necessidade para defender a continuidade da atuação da Fraternidade Sacerdotal São Pio X e afirma que o grupo permanece em comunhão espiritual com o Vaticano, apesar dos conflitos administrativos.
O sacerdote também rebate críticas dirigidas ao movimento, contesta a afirmação de que a fraternidade não possui sacramentos válidos e defende que a obediência dos católicos deve estar vinculada ao magistério tradicional da Igreja, mesmo diante das mudanças litúrgicas adotadas nas últimas décadas.
Após a divulgação do vídeo, a Arquidiocese de Brasília publicou uma nota confirmando a aplicação, em seu território, das medidas determinadas pelo Vaticano contra a Fraternidade São Pio X e, consequentemente, contra a Capela Santo Atanásio. No comunicado, a arquidiocese afirmou que os atos ministeriais praticados por Françoá são considerados ilícitos a partir da excomunhão.
Nos comentários da publicação, o padre disse que já tinha conhecimento da nota e afirmou que pretende responder oficialmente ao posicionamento da Arquidiocese de Brasília.