Estudante assassinada pelo namorado em SC morreu por asfixia, aponta laudo
Joviana Evelyn Iankovski, de 19 anos, morreu por asfixia provocada por constrição cervical, que ocorre por aperto ou compressão no pescoço, segundo o laudo da Polícia Científica, confirmado pela Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC) na segunda-feira (17).
No dia 10 de agosto, José Gustavo Rabelo, de 21 anos, confessou ter matado a namorada com um mata-leão em Sangão (SC). Segundo a Polícia Civil, Joviana estava desaparecida desde o dia 6, uma quinta-feira, quando sua mãe acionou a polícia e relatou que a filha havia dito que sairia naquele dia, mas não retornou.
Em nota, a defesa do acusado disse que a família dele não tinha conhecimento dos fatos e manifestou condolências à família da vítima.
Segundo o delegado Murilo Silveira da Cunha, após asfixiar Joviana, o acusado enrolou o corpo da namorada em um edredom e o manteve no quarto durante todo o fim de semana. Ele morava com a mãe e a avó. Em depoimento, José Gustavo afirmou à polícia que era comum levar a vítima e outras pessoas para o quarto e manter o cômodo isolado.
Para que a família da vítima não descobrisse, José tinha enviado mensagens à mãe de Joviana se passando por ela, informou Lívia Iankovski, irmã da jovem. Nas mensagens, enviadas durante todo o fim de semana, ele afirmava que Joviana havia passado mal por causa de bebida e conseguido um atestado para aquele dia. Também informava que ela passaria o fim de semana na casa dele.
Já no dia 9 de agosto, um domingo, José voltou a se passar pela namorada em mensagens enviadas à sogra pelo WhatsApp. Disse que havia conseguido encontrar um carregador e que voltaria para casa na noite do dia seguinte, segunda-feira, 10. Quando a mãe questionou o motivo de a roupa de trabalho da filha estar em casa, ele respondeu: “passo aí cedinho” e “essa semana vou passar toda em casa”.
Na segunda-feira de manhã, Lívia, irmã da vítima, ligou diversas vezes para José e enviou uma mensagem: “a mãe vai ligar para a polícia”. Ao Estadão, ela contou que Joviana e José estavam juntos havia cinco meses. Os dois se conheceram em uma festa de um amigo em comum.
A irmã também relembrou um episódio ocorrido no fim de julho, quando o casal havia terminado. “Ela chegou em casa de noite falando que ele seguiu ela de moto enquanto ela desabafava com uma amiga pela cidade”.
O caso
Segundo o delegado Murilo, José agrediu a vítima após ela ter visto mensagens no celular dele com outras mulheres, sobretudo durante um período recente em que os dois estavam separados.
Na virada do dia 6 para o dia 7 de agosto, de quinta para sexta-feira, após uma discussão, Joviana teria tentado deixar a casa do namorado quando “ele a seguiu e aplicou um golpe de mata-leão. O que levou a vítima a óbito. Ele então colocou o corpo na cama e permaneceu na residência”, disse o delegado. Familiares disseram que os dois viviam em um relacionamento “muito conturbado”.
José apresentou-se voluntariamente à polícia na tarde do dia 10. Ele foi ouvido em sede de interrogatório e confirmou a versão quanto à dinâmica dos fatos, disse a polícia. O acusado pelo crime de feminicídio foi levado ao Presídio de Tubarão.
Na tarde de terça-feira, 11, ele passou por audiência de custódia e teve a prisão preventiva decretada, informou o delegado.
O que diz a defesa?
A defesa de José afirmou que a família do acusado não tinha conhecimento dos fatos e jamais participou de qualquer tentativa de ocultação ou acobertamento. Segundo os advogados, os familiares só souberam do ocorrido na manhã de segunda-feira, quando José relatou o que havia acontecido, e o levaram imediatamente à delegacia, sem tentativa de fuga ou ocultação.
Ainda de acordo com a defesa, as circunstâncias na rotina da residência contribuíram para que os familiares não suspeitassem do que havia ocorrido.
“Entre elas, estão a dificuldade auditiva da mãe, circunstância de conhecimento público, e o fato de José permanecer com o quarto fechado durante períodos de descanso, comportamento que já fazia parte de sua rotina habitual”, disse o advogado.
Segundo a defesa, José Gustavo era atendente no balcão de uma loja de materiais elétricos e energia solar em Morro da Fumaça, cidade vizinha a Sangão. Ele também havia aberto uma microempresa de serviços de entrega rápida dois meses antes do crime.