Força-tarefa da Lava Jato repudia declarações de Aras: ‘Ataques genéricos e infundados’
A força-tarefa da Operação Lava Jato no Ministério Público Federal (MPF) repudiou as declarações do procurador-geral da República, Augusto Aras, por meio de nota nesta quarta-feira (29). Os procuradores que atuam no Paraná afirmam ainda que a declaração de Aras de que haveria uma “caixa de segredos” na força-tarefa é falsa e que se tratam de “ataques genéricos e infundados”, bem como a “alegação de que haveria milhares de documentos ocultos. Não há na força-tarefa documentos secretos ou insindicáveis das Corregedorias. Os documentos estão registrados nos sistemas eletrônicos da Justiça Federal ou do Ministério Público Federal e podem ser acessados em correições ordinárias e extraordinárias”, diz a nota.
A afirmação de Aras aconteceu durante um debate virtual promovido pelo Grupo Prerrogativas com advogados, entre eles defensores de réus na Lava Jato. O procurador afirmou que o modelo consagrado pela operação precisa ser substituído, mas o enfrentamento à corrupção vai continuar. Ele reconheceu a importância da operação, mas afirmou que é preciso corrigir rumos “para que o lavajatismo não perdure”. A força-tarefa alega que “devem ser refutados os ataques genéricos e infundados às atividades de procuradores da República e as tentativas de interferir no seu trabalho independente, desenvolvido de modo coordenado em diferentes instâncias e instituições”.
[jp-related-posts ids=”948241,944167,943331″]
Ainda neste mês, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, atendeu a um pedido de Aras e determinou que as forças-tarefa da Lava-Jato no Paraná, no Rio de Janeiro e em São Paulo entreguem à PGR todas os dados já obtidos nas investigações. Durante a live desta terça, o procurador-geral da República defendeu o uso responsável dessas informações. “A extensão da base de dados só revela a amplitude do trabalho até hoje realizado na operação Lava Jato e a necessidade de uma estrutura compatível. Ao longo de mais de setenta fases ostensivas e seis anos de investigação foi colhida grande quantidade de mídias de dados – como discos rígidos, smartphones e pendrives – sempre em estrita observância às formalidades legais, vinculada a procedimentos específicos devidamente instaurados. Para que se tenha ideia, por vezes apenas um computador pessoal apreendido possui mais de 1 terabyte de informações”, diz a nota dos procuradores da força-tarefa da Lava Jato.
Sobre a alegação de que a Lava Jato teria dados de 38 mil pessoas, os procuradores da força-tarefa afirmam que esse número é falso. “Pois esse é o número de pessoas físicas e jurídicas mencionadas em Relatórios de Inteligência Financeira encaminhados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) ao Ministério Público Federal, a partir do exercício regular do seu trabalho de supervisão de atividades suspeitas de lavagem de dinheiro”. Os procuradores finalizam a nota dizendo que é “essencial” que as instituições garantam a “independência funcional dos membros do Ministério Público” e que investigações que têm como alvo grandes empresários “desagradam parcela influente de nossa sociedade”. “Investigações de crimes graves que envolvem políticos e grandes empresários desagradam, por evidente, parcela influente de nossa sociedade, que lança mão de todos os meios para desacreditar o trabalho até então realizado com sucesso. Nesse contexto, é essencial que as Instituições garantam a independência funcional dos membros do Ministério Público, conforme lhes foi assegurado pela Constituição de 1988”, finaliza a força-tarefa.
Lava jato em São Paulo
A força-tarefa da operação no estado de São Paulo também divulgou nota nesta quarta afirmando que as declarações de Aras ao afirmar “falta de lisura na distribuição dos processos” que a Corregedoria-Geral do Ministério Público Federal realizou, no primeiro semestre de 2019, “uma correição ordinária em todos os feitos judiciais e extrajudiciais da FTLJ-SP. Em janeiro de 2020, realizou uma correição extraordinária nas 23 forças-tarefa existentes no MPF, incluindo a FTLJ-SP, que prestou à sra. Corregedora-Geral do MPF todas as informações solicitadas. Em ambas as correições, nenhuma irregularidade foi encontrada”.
Assuntos
continue lendo
Brasil
Polícia da Paraíba prende suposto serial killer envolvido em 16 assassinatos em 3 meses
Jorlan Alves da Silva foi preso enquanto tentava fugir do município, vestido de mulher e com uma criança no colo
- Chuva dá trégua na cidade de SP, mas frio persiste; veja até quando Estadão Conteúdo · há 14 horas
- Mulher de Lito Sousa diz que influenciador recebeu medicamento experimental Estadão Conteúdo · há 19 horas
- Aos 94 anos, Cacique Raoni é diagnosticado com câncer e recebe cuidados paliativos em MT Agência Brasil · há 1 dia
- Brasileira de 26 anos desaparece após colisão entre barcos em Veneza; marido morreu Estadão Conteúdo · há 1 dia