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Justiça nega habeas corpus e mantém prisão de Hytalo Santos e marido

Decisão do Tribunal de Justiça da Paraíba confirma prisão preventiva mesmo após condenação por exploração sexual de menores, no último sábado (21)

Nicolas Robert

Hytalo Santos ao chegar ao Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC), em São Paulo, na manhã desta sexta-feira (15)
Hytalo Santos ao chegar ao Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC), em São Paulo, na manhã desta sexta-feira (15) RAUL LUCIANO/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

A Câmara Criminal do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) negou, em sessão realizada nesta terça-feira (24), o pedido de habeas corpus em favor do influenciador Hytalo Santos e de seu marido, Israel Nata Vicente. Com a decisão, a Justiça mantém a prisão preventiva dos dois, que já haviam sido condenados em primeira instância no último fim de semana. O resultado final do julgamento foi unânime pela permanência do casal no sistema prisional.

Inicialmente, o placar estava em 2 a 1 pela manutenção da prisão, com os votos dos desembargadores Ricardo Vital e Carlos Beltrão favoráveis à negação do recurso. O desembargador João Benedito, que a princípio votou pela soltura dos réus, reviu sua posição durante a sessão e decidiu acompanhar o voto dos colegas. Dessa forma, o pedido de liberdade foi rejeitado por unanimidade.

A negativa do habeas corpus ocorre dias após a sentença de primeira instância, proferida no último sábado (21), que condenou o casal por crimes relacionados à exploração sexual de menores. Hytalo Santos recebeu uma pena de 11 anos e 4 meses de reclusão, enquanto Israel Vicente foi sentenciado a 8 anos e 10 meses.

Os dois estão detidos preventivamente desde agosto do ano passado, quando foram alvo de uma operação que investigava tráfico humano e exploração infantil. As acusações envolvem a exposição de crianças e adolescentes em redes sociais e a produção de conteúdo impróprio.

Relembre o caso

Hytalo Santos e Israel Vicente foram presos em agosto do ano passado em Carapicuíba, na região metropolitana de São Paulo, em cumprimento a mandados expedidos pela 2ª Vara da Comarca de Bayeux, da Paraíba.

As investigações que levaram às prisões têm por objeto os crimes de tráfico humano e exploração sexual infantil.

Tipificada no Código Penal, a pena para tráfico humano é de reclusão de 4 a 8 anos, aumentada de um terço até a metade se o crime for cometido contra criança ou adolescente, podendo chegar a 12 anos de prisão.

Os dois foram alvos de investigação pelo Ministério Público da Paraíba sob suspeita de explorar crianças e adolescentes nas redes sociais. O caso ganhou holofotes após um vídeo do criador de conteúdo Felca falar de adultização com denúncias sobre influenciadores que abusam da imagem de crianças. Um dos principais nomes citados era o de Hytalo Santos.

Felca, no vídeo sobre adultização de crianças publicado na semana passada, chamou o conteúdo de Hytalo de “circo macabro”. Investigado pelo MP da Paraíba desde 2024, foi banido do Instagram após o vídeo de Felca.

Assim como o marido, Israel também teve sua conta do Instagram desativada, poucas horas após publicar uma mensagem em defesa de Hytalo.

Hytalo gravava danças com menores de idade, muitas delas com pouca roupa, e ganhava dinheiro ao divulgar os vídeos nas redes. Com o passar dos anos, ele criou uma casa apelidada de “mansão” e levou algumas crianças para morar com ele, com a permissão dos pais.

O influenciador apelidou o grupo de “filhos”, a maioria jovens em vulnerabilidade social, a quem ele oferecia suporte financeiro, moradia, alimentação e educação. Em troca, eles aparecem em seus conteúdos.

O influenciador também ficou conhecido pela ostentação nas redes, o que incluía desde a distribuição de celulares de última geração até a doação de carros, casas e cirurgias plásticas para as “filhas” adolescentes.

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