Polícia de SP resgata mil animais vítimas de maus-tratos na internet em 2026
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) registrou no primeiro trimestre de 2026 um aumento na violência contra animais transmitida ao vivo em plataformas digitais. Os dados são do Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad) da SSP, especializado em crimes virtuais, enviados à Jovem Pan.
Em 2024, foram registrados 175 casos. Já em 2025, o número subiu para 340. Só neste ano, a Polícia Civil reporta que já resgatou ao menos mil animais no primeiro trimestre. Segundo a delegada Lisandrea Salvariego, chefe do Noad, o aumento pode estar relacionado ao status dentro de um grupo online.
“A violência contra animais dá visibilidade dentro das plataformas digitais”, disse à reportagem. Ainda segundo a delegada, o principal objetivo desse tipo de ação é dessensibilizar crianças e adolescentes em relação a conteúdos inadequados e violentos.
“Os maus-tratos (zoossadismo) são a porta de entrada para os outros crimes. Primeiro eles torturam gatinhos e depois induzem meninas à automutilação, sem qualquer sentimento de remorso, por exemplo”, explicou. Lisandrea relata que as principais plataformas onde ocorrem essas transmissões ao vivo são o Discord e o Telegram, por terem “zero moderação”.
Em contato com a reportagem, o Discord afirmou que “mantém políticas rigorosas que proíbem o abuso de animais por meio de sistemas robustos de fiscalização”. Também disse que segue investindo em ferramentas de segurança que impeçam esses crimes.
O Telegram afirmou que os conteúdos que incentivam a violência, incluindo maus-tratos aos animais, são explicitamente proibidos pelos termos de serviço, e que existem “moderadores equipados com ferramentas de IA personalizadas que monitoram proativamente as partes públicas da plataforma e aceitam denúncias para remover milhões de conteúdos nocivos todos os dias.”
A Polícia Civil afirma que monitora de 10 a 15 casos transmitidos ao vivo em média por madrugada. A pena nos casos envolvendo cães e gatos pode chegar a cinco anos de reclusão, além de multa e proibição da guarda do animal.
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