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Quem era delegado morto em emboscada na Praia Grande?

Ruy Ferraz Fontes foi assassinado a tiros na noite desta segunda-feira (15), no bairro Nova Mirim; ele atuou por mais de 40 na Polícia Civil e se destacou no combate ao crime organizado

Nicolas Robert

EX-Delegado-geral da Polícia Civil Ruy Ferraz Fontes
EX-Delegado-geral da Polícia Civil Ruy Ferraz Fontes Divulgação/Governo de São Paulo

O ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo e atual secretário de Praia Grande, Ruy Ferraz Fontes, de 68 anos, foi morto a tiros na noite de segunda-feira (15). O crime aconteceu na Avenida Dr. Roberto de Almeida Vinhas, no bairro Nova Mirim. O caso ainda está sob investigação.

Segundo relatos e imagens de câmeras de segurança, o carro de Ruy Ferraz Fontes foi perseguido por criminosos. Durante a perseguição, o veículo do ex-delegado bateu em um ônibus e capotou. Após o acidente, três homens armados com fuzis desceram de outro carro e atiraram várias vezes em Ruy. Em seguida, eles fugiram. Duas pessoas que passavam pelo local também foram baleadas, mas foram socorridas e não correm risco de morte.

Quem era o delegado Ruy Ferraz?

A trajetória de Ruy Ferraz Fontes foi marcada por uma dedicação de mais de 40 anos à Polícia Civil, com atuação destacada no combate ao crime organizado. O ex-delegado-geral foi um dos primeiros a investigar o Primeiro Comando da Capital (PCC), mapeando a estrutura da facção e prendendo lideranças importantes, incluindo o chefe Marcola e a cúpula do grupo criminoso. Suas investigações e ações foram cruciais em um dos períodos mais violentos de São Paulo, quando, em 2006, o PCC deflagrou uma série de ataques contra forças de segurança.

A liderança de Ruy se estendeu para o comando da Polícia Civil paulista entre 2019 e 2022, período em que liderou a transferência de chefes do PCC para presídios federais, uma medida estratégica para desarticular o poder da facção nas cadeias. Sua carreira incluiu passagens por delegacias especializadas como o Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). Além de sua atuação prática, ele também foi professor de Criminologia e Direito Processual Penal. Em 2023, assumiu a Secretaria de Administração de Praia Grande, onde vinha atuando.

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Demonstrou preocupação antes de ser assassinado

Em dezembro de 2023, Fontes sofreu um assalto, em Praia Grande. Na época, ele já demonstrava preocupação com sua segurança e de familiares, após anos de atuação contra o Primeiro Comando da Capital (PCC). “Combati esses caras durante tantos anos e agora os bandidos sabem onde moro. Minha família, agora, quer que eu deixe o emprego em Praia Grande e saia de São Paulo”, disse ao Estadão após o episódio. Ele ainda apontava estar preocupado com a exposição do assalto na mídia e que sua família se sentia ameaçada.

Ele e a mulher saíam de um restaurante e iam para casa quando foram abordados. Um dos criminosos apontou a arma para a cabeça do ex-policial. Foram roubados celulares, joias, cartões e a moto do casal. Os suspeitos foram presos em flagrante, e os bens, recuperados. Na época, Fontes atuava como secretário da Administração na prefeitura de Praia Grande.

*Com Estadão Conteúdo

Publicado por Nícolas Robert

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*Reportagem produzida com auxílio de IA