IPCA-15 de maio sobe acima do esperado e inflação preocupa
A inflação de maio medida pelo IPCA-15 subiu 0,62%, acima do consenso de mercado de 0,53%. Em 12 meses, o índice acumula alta de 4,64%, acima do teto da meta (4,5%).
Os maiores vilões da inflação do mês foram os alimentos, energia elétrica, remédios e despesas pessoais. Enganam-se aqueles que a inflação esteja ligada apenas ao choque do petróleo. Pelo contrário, os combustíveis apresentaram queda em maio.
Além disso, ao analisar as medidas de núcleos, que recalculam o índice tirando os choques extraordinários, houve piora da inflação. O núcleo por expurgo, que retira do cálculo alimentos no domicílio e preços administrados pelo governo, como gasolina e remédios, passaram de 0,26% em abril para 0,42% em maio. Já a inflação de serviços subiu de 0,03% para 0,48% no mesmo período.
Essas medidas de núcleos pouco têm a ver com o choque do petróleo. Portanto, a piora dessas métricas é explicada por outros fatores, como a inflação de serviços que mais relacionada com o aquecimento da demanda devido aos estímulos do governo.
Seria ingenuidade acreditar que despejar R$140 bilhões para estimular a economia em 2026 não traria impactos inflacionários. O governo poderá até alcançar um resultado melhor do esperado na atividade econômica, mas terá que explicar para o eleitor o motivo da piora da inflação.
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