O fetiche por interferência de preços
É impressionante como no Brasil não aprendemos com o passado. Basta um aumento de preço significativo que já vem o governo com medidas para atenuar a elevação, indo contra a lei da oferta e da procura. Toda vez que há interferência nas leis de mercado, há sempre um ônus a ser pago pela população.
Desta vez a interferência veio com a elevação no preço do diesel, fruto do conflito no Oriente Médio. Para atenuar a alta, o governo subsidiou a importação do combustível em R$0,32 por litro, zerou o PIS/Cofins sobre o combustível, e a Petrobras não repassou toda a alta do mercado internacional. Adicionalmente, o governo vai subsidiar R$1,20 de compra de diesel pelos distribuidores, dividindo o valor igualmente entre a União e os Estados (R$0,60 para cada).
Há dois problemas com essas medidas. O primeiro é que mesmo que o preço seja reduzido, a oferta de diesel não vai aumentar. Pelo contrário, o produto vai continuar escasso. Para piorar, trabalhar com preços artificialmente baixos pode estimular ainda mais o consumo num momento de escassez, levando a mais crises de abastecimento.
O segundo problema é que essas medidas trazem impactos fiscais. É claro que o preço mais alto é muito mais percebido pela população do que a diluição do impacto nas contas públicas. A população pode até não perceber o efeito, mas arcará do mesmo jeito via contas públicas com taxas de juros mais elevadas.
Nessas horas vale o lema liberal de que “o melhor remédio para o preço alto é o preço alto”. Muita gente quer uma solução milagrosa e indolor, mas infelizmente isso não existe em economia. O preço alto num momento de escassez tem dupla função: freia a demanda para não piorar a falta do combustível, como também sinaliza para o mercado a possibilidade de atrair mais investimentos no médio prazo pelo aumento de receita.
Infelizmente essas leis de mercado passam longe de um governo que só pensa em se reeleição.
continue lendo
Alan Ghani
Embargo econômico contra o Irã não vai reabrir Estreito de Ormuz
A decisão de Donald Trump não tem efeito por vários motivos
- Trump não sabe como sair do Estreito de Ormuz Alan Ghani · há 7 dias
- Varejo quebrado Alan Ghani · há 7 dias
- PGR defende caso Lulinha na 1ª primeira instância – a ‘sommelização’ da Justiça Alan Ghani · há 7 dias
- Atividade econômica cai 0,6% em junho, mostrando desaquecimento da economia Alan Ghani · há 1 semana