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David de Tarso

Operadores financeiros e tribunal do crime do PCC se tornam alvos de operação em SP

Investigação apura movimentação de dinheiro em espécie, transferências bancárias e uso de empresas para ocultar e disponibilizar recursos à facção

David de Tarso

Reprodução/Facebook
Operadores financeiros e tribunal do crime do PCC se tornam alvos de operação em SP PMESP/Reprodução

O Ministério Público de São Paulo (MPSP), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), deflagrou nesta terça-feira (21) a Operação Janus, que tem como alvo operadores financeiros suspeitos de atuar em favor do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Ao todo, são cumpridos 18 mandados de prisão preventiva e 18 mandados de busca e apreensão, expedidos pela Vara Estadual de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores. A ação é um desdobramento das investigações realizadas no âmbito das Operações Bazaar, Recidere e Salus et Dignitas.

Segundo o MPSP, a nova fase busca aprofundar a apuração sobre pessoas suspeitas de movimentar recursos financeiros atribuídos à organização criminosa. Entre as condutas investigadas estão a conversão de dinheiro em espécie em transferências bancárias, além da ocultação, circulação e disponibilização de valores em benefício de integrantes e colaboradores da facção.

De acordo com os elementos reunidos durante a investigação, os alvos teriam participado de operações envolvendo a entrega de grandes quantias em dinheiro vivo, transferências bancárias e utilização de empresas e contas de terceiros para movimentar recursos supostamente ligados ao grupo criminoso.

As investigações também apontam que os suspeitos teriam participado de reuniões destinadas à resolução de conflitos patrimoniais submetidos a integrantes da organização criminosa. Esses encontros são descritos pelos investigadores como uma espécie de “tribunal do crime”.

Além das prisões e buscas, a Justiça autorizou uma série de medidas cautelares de natureza patrimonial. Entre elas estão o bloqueio de contas bancárias e aplicações financeiras, a indisponibilidade de imóveis e veículos e o sequestro de bens atribuídos aos investigados.

As decisões judiciais determinaram ainda o bloqueio de ativos financeiros de pessoas físicas investigadas, até o limite de R$ 10 milhões por investigado. Também foram autorizadas medidas de constrição contra pessoas jurídicas apontadas pela investigação como integrantes da estrutura financeira apurada.

O cumprimento das ordens judiciais conta com o apoio do Comando de Policiamento de Choque (CPChq), por meio de equipes do 1º Batalhão de Polícia de Choque Tobias de Aguiar (ROTA), do 3º Batalhão de Polícia de Choque e do 4º Batalhão de Polícia de Choque (COE). Ao todo, foram mobilizados 57 policiais militares e 19 viaturas.

O nome da operação faz referência a Janus, divindade da mitologia romana associada às passagens e transições. A escolha do nome remete, segundo os investigadores, à dinâmica atribuída aos alvos de movimentação de recursos entre o dinheiro em espécie e o sistema financeiro formal.

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