São Paulo tem 14 corpos encontrados em 48 dias; polícia investiga possível ligação com tribunal do crime
A localização de novos corpos na manhã desta quinta-feira (22) voltou a repercutir para a sequência de mortes violentas registradas em diferentes regiões de São Paulo. Ao longo de 48 dias, 14 corpos foram encontrados, segundo o levantamento que reúne as ocorrências investigadas pela polícia. Os casos apresentam circunstâncias distintas, mas alguns chamam a atenção pela maneira como as vítimas foram abandonadas, incluindo cadáveres esquartejados, decapitados e envolvidos em sacos plásticos ou cobertores.
Um dos corpos encontrados nesta quinta-feira estava nas margens do rio Tietê, na região da zona oeste da capital. A vítima ainda não havia sido identificada, e as circunstâncias da morte eram investigadas pela Polícia Civil. O outro corpo foi encontrado nas proximidades de um mercado na zona leste. Na véspera, quarta-feira (21), outros dois corpos foram localizados: um em uma área de mata no Tremembé, na zona norte, e o de uma mulher esquartejada nas proximidades da Marginal Tietê, também na zona norte.
O caso da Marginal Tietê ocorreu durante uma ação da Polícia Militar, na madrugada de quarta-feira. Policiais faziam patrulhamento na região do Parque Novo Mundo quando tentaram abordar dois homens que manuseavam sacos. Segundo a corporação, houve disparos contra a equipe, que reagiu. Um dos suspeitos morreu no local, enquanto o outro fugiu.
Durante a varredura na área, os agentes encontraram a cabeça e outras partes do corpo de uma mulher. A Polícia Civil investiga se o suspeito morto tinha alguma relação com o homicídio. Até a divulgação das primeiras informações, não havia confirmação desse vínculo, e a identidade da vítima ainda não tinha sido oficialmente divulgada.
Já o corpo encontrado no Tremembé estava em avançado estado de decomposição, em uma área de mata. O cadáver foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para exames que possam ajudar na identificação e no esclarecimento da causa da morte.
Polícia investiga possível atuação do tribunal do crime
Diante da sequência de ocorrências, a Polícia Civil investiga os casos individualmente e apura possíveis conexões entre parte dos homicídios. Uma das linhas de investigação considera a hipótese de atuação do chamado “tribunal do crime”, prática atribuída a integrantes de organizações criminosas que submetem pessoas a julgamentos clandestinos e aplicam punições que podem terminar em morte.
A possibilidade, no entanto, não está confirmada para todos os casos. A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que não há elementos que permitam concluir que os crimes tenham sido cometidos por um único autor ou que exista um serial killer atuando na capital.
O Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) participa das apurações e trabalha para identificar as vítimas, esclarecer as circunstâncias das mortes e localizar os responsáveis. A semelhança entre algumas formas de abandono dos corpos é considerada durante as investigações, mas não comprova, por si só, que os episódios tenham ligação.
Cabeça foi encontrada em praça na zona sul
Entre as ocorrências que chamaram a atenção dos investigadores está a localização de uma cabeça humana em uma praça no Jardim São Luís, na zona sul, em 27 de setembro. A parte do corpo foi encontrada entre a Avenida Guido Caloi e a Ponte Transamérica.
Na ocasião, a Secretaria da Segurança Pública informou que a área foi preservada para a realização de perícia e que vestígios de sangue foram encontrados nas proximidades. A investigação busca esclarecer a identidade da vítima e as circunstâncias do crime.
O episódio integra uma sequência de registros iniciada no começo de setembro, quando corpos passaram a ser encontrados em diferentes pontos da capital, alguns amarrados, envolvidos em tecidos ou sacos plásticos e outros com sinais de violência extrema.
Casos começaram a ser registrados em setembro
O primeiro caso dessa sequência foi registrado em 5 de setembro, quando garis encontraram um corpo amarrado e embalado em um saco plástico na Rua Contos Gauchescos, no Jabaquara, zona sul.
Em 10 de setembro, dois corpos foram encontrados na zona leste: um na Vila Chuca, envolvido em um cobertor e colocado dentro de um saco plástico, e outro no bairro Colônia, também enrolado em um cobertor e com a cabeça coberta por sacos plásticos.
Em 19 de setembro, um corpo esquartejado foi localizado em sacolas plásticas na região do Jaçanã, na zona norte. Dois dias depois, em 21 de setembro, outro cadáver foi encontrado dentro do porta-malas de um veículo na zona oeste.
No dia 25 de setembro, um corpo enrolado em um lençol foi localizado na Vila Andrade, zona sul. Na mesma data, um homem foi encontrado morto e carbonizado dentro de um carro incendiado no Rio Pequeno, zona oeste.
Em 27 de setembro, ocorreu a descoberta da cabeça no Jardim São Luís. O restante do corpo foi localizado posteriormente em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, a cerca de 21 quilômetros de distância.
A sequência de registros continuou no fim do mês. Em 30 de setembro, um corpo foi encontrado sob um trecho de viaduto na região da Colônia, na zona leste. A vítima estava enrolada em um cobertor, com os pulsos amarrados por fios elétricos e um ferimento na cabeça compatível com disparo de arma de fogo.
Em 2 de outubro, outro corpo foi localizado dentro de um saco plástico em uma área próxima ao Parque Ecológico do Tietê, também na zona leste. A vítima estava com braços e pernas amarrados por fita adesiva.
Em 12 de outubro, um homem ainda não identificado foi encontrado morto dentro de um saco plástico no Belenzinho, na zona leste. Nos dias seguintes, a investigação passou a reunir novas ocorrências de cadáveres encontrados em condições semelhantes, incluindo os casos registrados em 21 e 22 de outubro.
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