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Eliseu Caetano

EUA acusam Brasil de atrasar acordo e afirmam ter dado todas as oportunidades para acordo

Governo americano também ficou insatisfeito com a recusa do Brasil em conceder vistos diplomáticos a dois representantes dos Estados Unidos

Eliseu Caetano

Presidente Donald Trump em discurso pelos 250 anos da independência dos Estados Unidos.
Presidente Donald Trump em discurso pelos 250 anos da independência dos Estados Unidos. (c) 2026 Thomson Reuters, unless otherwise identified. Full statement

Autoridades do governo dos Estados Unidos afirmam que a decisão de revogar o visto diplomático da embaixadora Maria Luiza Viotti foi tomada após meses de tentativas de negociação com o governo brasileiro.

Segundo um alto funcionário do Departamento de Estado, Washington considera que Brasília atrasou e dificultou as negociações ao não conceder o agrément — a autorização diplomática necessária — ao indicado do presidente Donald Trump para chefiar a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil.

Ainda de acordo com essa autoridade, o governo americano também ficou insatisfeito com a recusa do Brasil em conceder vistos diplomáticos a dois representantes dos Estados Unidos. Na avaliação de Washington, todas as oportunidades para uma solução diplomática teriam sido oferecidas antes da adoção da medida.

O mesmo funcionário afirmou que a revogação do visto da embaixadora brasileira faz parte de uma resposta baseada no princípio da reciprocidade. Segundo ele, a decisão ainda poderá ser revista caso o governo brasileiro autorize a nomeação do novo embaixador americano em Brasília.

O que acontece agora?

Pela Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, caso a embaixadora deixe de ser reconhecida pelo Estado receptor para exercer suas funções, o Brasil deverá providenciar sua substituição e sua saída do país dentro de um prazo razoável. A Convenção não estabelece um número de dias, mas também não prevê que um embaixador permaneça exercendo a chefia da missão após perder essa condição.

Enquanto isso, a Embaixada do Brasil em Washington continua funcionando normalmente. A chefia da representação passa, interinamente, ao encarregado de negócios, normalmente o vice-chefe da missão diplomática, que permanece no cargo até que o governo brasileiro indique um novo embaixador e esse nome seja aceito oficialmente pelos Estados Unidos.