EUA e países do Golfo defendem Gaza sem grupos armados e endossam plano de Trump
Os Estados Unidos e os países do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) divulgaram uma declaração conjunta nesta sexta-feira defendendo a desmilitarização da Faixa de Gaza como passo essencial para a reconstrução do território palestino e para a criação de uma nova estrutura de governo após o conflito. A posição foi anunciada ao fim da reunião ministerial realizada em Manama, no Bahrein, entre o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e os chanceleres dos países do Golfo.
No documento, os governos reafirmaram apoio aos esforços do chamado Conselho para a Paz, responsável por coordenar iniciativas de estabilização, recuperação e reconstrução de Gaza, em conformidade com a Resolução 2803 do Conselho de Segurança das Nações Unidas. O objetivo é estabelecer as bases para a reconstrução da infraestrutura destruída pela guerra e para a retomada dos serviços essenciais à população.
A declaração afirma que a reconstrução só será possível com a desmilitarização do território. Segundo os participantes da reunião, Gaza deverá deixar de ser controlada por grupos armados para permitir a implementação de um plano de recuperação de longo prazo.
Os países também defenderam a transferência da administração da Faixa de Gaza para um comitê palestino independente, de perfil técnico e civil. A proposta busca criar uma estrutura de governança voltada para a reconstrução e para a prestação de serviços públicos, sem vinculação direta a facções políticas ou militares.
Outro ponto que chamou atenção foi o apoio explícito à visão do presidente Donald Trump para o futuro do território palestino. No comunicado, Estados Unidos e países do Golfo elogiaram a proposta apresentada pelo republicano para transformar Gaza em uma região voltada para a paz, estabilidade e prosperidade econômica após o fim da guerra.
A posição conjunta representa um raro alinhamento entre Washington e as monarquias do Golfo sobre o futuro político de Gaza e sinaliza uma tentativa de acelerar as discussões sobre quem administrará o território quando os combates terminarem. O tema continua sendo um dos mais sensíveis das negociações no Oriente Médio, especialmente diante das divergências sobre o papel do Hamas no pós-guerra.
Embora a declaração não detalhe prazos nem valores para a reconstrução, o recado político foi claro: para os Estados Unidos e seus aliados árabes, o futuro de Gaza passa pela retirada da influência de grupos armados, pela criação de uma administração civil independente e por um amplo esforço internacional de reconstrução.