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Eliseu Caetano

EUA somam mais de 400 registros por ferimentos na fase inicial da guerra contra o Irã

Documentos obtidos via Lei de Liberdade de Informação e atualização do banco de dados do Pentágono detalham lesões, incluindo centenas de traumas cranianos

Eliseu Caetano

Pessoas inspecionam os destroços de um prédio danificado após ataques aéreos no centro de Teerã, em 4 de março de 2026
Pessoas inspecionam os destroços de um prédio danificado após ataques aéreos no centro de Teerã, em 4 de março de 2026 AFP

Novos registros do Departamento de Defesa dos Estados Unidos mostram que o governo contabiliza mais de 400 registros por ferimentos na fase inicial da guerra contra o Irã, entre 28 de fevereiro e 8 de abril de 2026. O total de mortos americanos no conflito, até o momento, é de 18.

Os dados mais detalhados foram obtidos pelo site investigativo The War Horse por meio da Lei de Liberdade de Informação (FOIA). Eles registram mais de 400 incidentes de baixas nesse período — cada registro representa um incidente, e um mesmo militar pode ter sido ferido mais de uma vez. Pelo menos 17 desses ferimentos foram classificados como de risco de vida.

O tipo de lesão mais frequente foi o trauma craniano: pelo menos 170 casos. Especialistas em saúde militar já alertam que a lesão cerebral traumática (TBI) pode se tornar a “ferida assinatura” desta guerra, assim como ocorreu nos conflitos no Iraque e no Afeganistão. Outros ferimentos incluem estilhaços, fraturas e inalação de fumaça.

A maior parte das baixas concentrou-se no Exército (mais de 270, incluindo reservistas e 64 oficiais). A Marinha registrou 64, a Força Aérea 51 e o Corpo de Fuzileiros Navais 19.

Os documentos também revelam episódios de baixas em massa que não haviam sido detalhados publicamente pelo Comando Central dos EUA. Em 3 de março foram registrados 29 casos ligados a ataque inimigo. Em 18 de março, 70 baixas, das quais mais de duas dezenas atribuídas diretamente a ataques.

Um dos episódios mais graves ocorreu em 1º de março, no ataque de drone iraniano ao Porto de Shuaiba, no Kuwait. O ataque matou seis militares e feriu dezenas, entre eles o general de brigada Clint Barnes e o major-general Brad Hinson, ambos com trauma na cabeça.

Os comunicados oficiais da época subestimaram o impacto total.

Paralelamente, o banco de dados oficial do Pentágono (Defense Casualty Analysis System – DCAS) foi atualizado no fim de semana. Ele confirma mais de 400 registros de feridos na fase chamada Operation Epic Fury e, somando a nova categoria “Overseas Operations” (criada a partir de 7 de julho, quando os combates foram retomados), chega a cerca de 624 registros de ferimentos e 18 mortos desde o início da guerra.

A separação das baixas em duas categorias oficiais gerou críticas de parlamentares e da imprensa, que questionam a transparência na contagem do custo humano do conflito.

O Pentágono atribuiu as mudanças a ajustes técnicos e reclassificação de fases operacionais.

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