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Eliseu Caetano

Justiça determina retirada do nome de Trump do Kennedy Center e encerra rebatização da instituição

Decisão federal anula mudança feita pelo conselho sem aval do Congresso e determina a retomada imediata da identidade original da instituição

Eliseu Caetano

Produtos bordados com 'The Trump Kennedy Center' são exibidos para venda no John F. Kennedy Memorial Center for the Performing Arts
Produtos bordados com 'The Trump Kennedy Center' à venda no John F. Kennedy Memorial Center for the Performing Arts AARON SCHWARTZ / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / GETTY IMAGES VIA AFP

O tradicional Kennedy Center, principal centro de artes cênicas dos Estados Unidos, voltou oficialmente a utilizar apenas seu nome original após uma decisão da Justiça Federal americana determinar a remoção da marca “Trump Kennedy Center” de materiais oficiais, placas e do site da instituição.

A medida foi tomada após decisão do juiz federal Christopher Cooper, de Washington, que concluiu que o conselho diretor do centro cultural não tinha autoridade legal para alterar o nome da instituição sem autorização do Congresso dos Estados Unidos. Segundo o magistrado, a legislação que criou o complexo cultural estabelece de forma clara que o local foi nomeado em homenagem ao ex-presidente John F. Kennedy e somente o Congresso pode aprovar qualquer mudança oficial.

O caso teve origem em dezembro do ano passado, quando o conselho do Kennedy Center, reorganizado após mudanças promovidas pelo presidente Donald Trump, aprovou a inclusão do nome do republicano na identidade da instituição. Desde então, o site oficial passou a exibir a denominação “The Trump Kennedy Center”, enquanto placas, documentos e materiais institucionais também foram alterados.

Na decisão publicada em 29 de maio, o juiz ordenou que todas as referências ao nome de Trump fossem retiradas em até 14 dias. O magistrado afirmou que o conselho “excedeu seus limites legais” ao aprovar a mudança de forma unilateral. A sentença também determinou a remoção de qualquer sinalização física ou digital que indicasse que a instituição recebeu um novo nome.

Em cumprimento à ordem judicial, os advogados do Kennedy Center orientaram funcionários a iniciar a retirada das referências ao presidente. Nesta semana, o cabeçalho do site oficial voltou a apresentar apenas “The Kennedy Center”, encerrando oficialmente a utilização pública da marca associada a Trump.

Bloqueio do projeto de reforma

Além da questão envolvendo o nome da instituição, a decisão judicial também representou um revés para outros planos da administração do centro. O juiz bloqueou temporariamente um projeto que previa o fechamento do Kennedy Center por até dois anos para uma ampla reforma estrutural que deveria começar ainda neste verão americano.

O Kennedy Center foi inaugurado em 1971 e é considerado o principal complexo cultural financiado pelo governo federal dos Estados Unidos. Localizado às margens do rio Potomac, em Washington, o espaço recebe anualmente milhares de apresentações de teatro, música, dança, ópera e eventos especiais. A instituição também é responsável pela entrega das tradicionais honrarias Kennedy Center Honors, uma das mais importantes homenagens da cultura americana.

A disputa judicial foi acompanhada de perto por artistas, políticos e entidades culturais. O processo foi movido pela deputada democrata Joyce Beatty, integrante do conselho da instituição, que argumentou que a mudança violava a legislação federal que criou o centro cultural. A Justiça concordou com esse entendimento e concluiu que apenas uma lei aprovada pelo Congresso poderia alterar oficialmente o nome do complexo.

Com a decisão, o nome de Donald Trump deixa de fazer parte oficialmente da identidade do Kennedy Center, enquanto a instituição retorna à denominação histórica criada há mais de cinco décadas em homenagem ao 35º presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy.