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Eliseu Caetano

Nova York e Nova Jersey travam disputa política sobre quem é a “verdadeira casa” da Copa do Mundo

O MetLife Stadium, localizado em Nova Jersey, receberá oito partidas do Mundial, incluindo semifinais e a decisão do torneio

Eliseu Caetano

MetLife Stadium, local da final da Copa do Mundo
MetLife Stadium, local da final da Copa do Mundo Divulgação

A Copa do Mundo de 2026 nem começou e já provocou uma disputa entre duas das figuras políticas mais importantes do nordeste americano: a governadora de Nova York, Kathy Hochul, e a governadora de Nova Jersey, Mikie Sherrill.

O motivo da rivalidade é simples: embora o torneio seja promovido internacionalmente como “New York New Jersey”, os oito jogos da região – incluindo a grande final da Copa do Mundo em 19 de julho – serão disputados no MetLife Stadium, que fica em East Rutherford, no estado de Nova Jersey.

A discussão ganhou força nos últimos dias durante eventos oficiais da Copa, quando autoridades dos dois estados passaram a reforçar publicamente o papel de suas regiões na organização do maior evento esportivo do planeta.

Quem realmente vai receber os jogos?

Do ponto de vista técnico, Nova Jersey tem razão ao afirmar que é a sede dos jogos. O MetLife Stadium receberá oito partidas do Mundial, incluindo semifinais e a decisão do torneio. É lá que a FIFA realizará a final da Copa do Mundo de 2026, considerada o evento esportivo mais assistido do planeta.

Mas Nova York argumenta que a experiência da Copa vai muito além do estádio. A maior parte dos turistas internacionais deve se hospedar em Nova York, utilizar os aeroportos da cidade, frequentar atrações turísticas de Manhattan e participar dos eventos paralelos organizados pela prefeitura e pelo estado. A região também sediará fan fests, ativações comerciais e grandes transmissões públicas dos jogos.

A briga não é apenas simbólica. O Comitê Organizador da Copa estima que o torneio deve gerar cerca de US$ 3,3 bilhões em impacto econômico para a região de Nova York e Nova Jersey. O evento deve atrair centenas de milhares de visitantes internacionais, movimentando hotéis, restaurantes, transporte, comércio e entretenimento.

Por isso, tanto Hochul quanto Sherrill tentam associar seus governos ao sucesso do Mundial. Nas últimas semanas, Nova Jersey anunciou programas para distribuir mais de 750 ingressos gratuitos para moradores do estado, incluindo profissionais de saúde, pacientes pediátricos e membros de comunidades locais. A iniciativa conta com apoio do Comitê Organizador e de patrocinadores privados.

Já Nova York lançou uma série de medidas para transformar o estado em um dos principais polos de celebração da Copa, incluindo autorização para bares funcionarem até as 4 horas da manhã durante o torneio e a criação de eventos públicos de grande porte.

Um dos maiores projetos anunciados por Nova York é uma gigantesca transmissão pública da final da Copa do Mundo no Central Park. O evento deve reunir mais de 50 mil torcedores na Great Lawn, em Manhattan, e terá entrada gratuita.

Segundo os organizadores, mais de 52 mil ingressos serão distribuídos ao público por meio de sorteio. A iniciativa é vista como uma forma de reforçar a imagem de Nova York como centro das celebrações da Copa, mesmo sem receber partidas dentro dos limites da cidade.

A guerra de marketing

A rivalidade entre os dois estados não é nova. Desde que a FIFA escolheu o MetLife Stadium para sediar a final, políticos de Nova Jersey vêm insistindo que o estado é o verdadeiro anfitrião dos jogos.

Autoridades locais já chegaram a lembrar publicamente que, apesar da marca internacional “New York New Jersey”, todas as operações relacionadas ao estádio, segurança, transporte e logística do evento estarão concentradas em território de Nova Jersey.

Ao mesmo tempo, líderes de Nova York argumentam que a marca global da cidade é um dos principais motivos pelos quais a região foi escolhida para receber a final do Mundial.

Mais do que uma disputa de vaidade política, a discussão envolve legado, turismo e bilhões de dólares em receitas futuras.
A Copa do Mundo de 2026 será a maior da história, com 48 seleções e 104 partidas disputadas em Estados Unidos, Canadá e México.

Para Nova York e Nova Jersey, o torneio representa uma oportunidade única de exposição internacional diante de uma audiência global de bilhões de espectadores.

E enquanto os torcedores discutem quem levantará a taça em julho, os políticos da região já travam outra disputa: quem ficará com os créditos por sediar o maior espetáculo do futebol mundial.