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Patrícia Costa

Apenas 7% dos rios da Mata Atlântica tem boa qualidade

Relatório expõe falhas crônicas na gestão hídrica e desafia a sociedade a repensar seu papel na preservação

Patricia Costa

RIO PINHEIROS
RIO PINHEIROS Rovena Rosa / Agencia Brasil

Os números não mentem, mas parecem não ser suficientes para nos mover. O mais recente relatório da Fundação SOS Mata Atlântica revela que apenas 7,6% dos 112 rios e corpos d’água monitorados no bioma alcançam o nível “bom” de qualidade da água. Nenhum ponto de coleta atingiu a classificação “ótima”. Os dados abrangem 67 municípios em 14 estados. A degradação dos solos, o desmatamento das matas ciliares e a precariedade do saneamento básico impactam diretamente a qualidade da água.  O problema não é apenas ambiental; é social, econômico e político. A falta de investimentos em saneamento básico, somada à fiscalização frágil e à expansão desordenada das cidades, cria um cenário onde rios viram depósitos de esgoto e resíduos. A Mata Atlântica, um dos biomas mais ameaçados do país, abriga rios que são essenciais para o abastecimento de milhões de pessoas. A degradação desses corpos d’água não é apenas uma tragédia ecológica; é uma ameaça direta à nossa segurança hídrica e à biodiversidade.

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O relatório da SOS Mata Atlântica não é apenas um diagnóstico; é um convite à reflexão e à ação. Precisamos questionar o modelo de desenvolvimento que prioriza o lucro imediato em detrimento da sustentabilidade. E essa estatística não é só um número: ela é o reflexo de uma crise ambiental que, em sua profundidade, ameaça a estrutura básica da nossa sociedade. Precisamos cobrar dos governos políticas públicas eficazes e investimentos robustos em saneamento e recuperação de bacias hidrográficas. Mas, acima de tudo, precisamos assumir nossa responsabilidade individual e coletiva.

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