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Patrícia Costa

Garimpo ilegal destrói área equivalente a seis mil campos de futebol na Amazônia

Levantamento do Greenpeace revela avanço da devastação entre janeiro e março de 2024

Patricia Costa

Garimpo Ilegal na Terra Indígena Yanomami
Garimpo Ilegal na Terra Indígena Yanomami Divulgação/Governo Federal

Um levantamento do Greenpeace Brasil revela que o garimpo ilegal destruiu, nos três primeiros meses de 2024, uma área de 42 km² na floresta amazônica — o equivalente a cerca de seis mil campos de futebol. A devastação ocorreu principalmente nos estados do Pará, Roraima e Amazonas, segundo imagens de satélite analisadas com base no sistema “MapBiomas Alerta”. A atividade, além de acelerar o desmatamento, tem contaminado rios com mercúrio, impactando diretamente a fauna, a flora e a saúde das populações ribeirinhas e indígenas. Estudos da Fiocruz já identificaram altos índices de mercúrio em peixes e até no leite materno de comunidades afetadas. Os dados demonstram um padrão de crescimento constante da destruição provocada pelo garimpo, mesmo após operações de fiscalização. A ausência de controle eficaz sobre a origem do ouro estimula a continuidade do crime.

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Um relatório do Instituto Escolhas mostra que, em 2022, o Brasil exportou US$ 1,2 bilhão em ouro com indícios de ilegalidade. Grande parte do metal sai da Amazônia com documentação forjada, facilitada por brechas na legislação e ausência de rastreabilidade da cadeia do ouro. O impacto não é apenas local. Segundo pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Inpa, , o avanço do garimpo contribui para alterações no regime hídrico da região e pode afetar o equilíbrio das chuvas no país, comprometendo a agricultura e o abastecimento de água no Sudeste. O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima informou que tem reforçado as ações de combate ao garimpo ilegal com apoio da Força Nacional e da Polícia Federal, mas reconhece que a dimensão da atividade ainda representa um desafio.

Em 2023, a destruição causada por garimpos ilegais ocupou mais de 120 km² da Amazônia, segundo o Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Inpe. Além da perda ambiental, os danos econômicos também são significativos. Segundo o Instituto Escolhas, a mineração ilegal gera prejuízos de de bilhões por ano ao Brasil, entre perda de arrecadação e danos socioambientais. Apesar das denúncias e do monitoramento crescente por ONGs e órgãos de fiscalização, o garimpo ilegal segue avançando, impulsionado por um mercado que opera à margem da legalidade e que ainda encontra conivência institucional e incentivo financeiro. A falta de responsabilização ao longo da cadeia e o alto valor do ouro são fatores que continuam alimentando a destruição da floresta.

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