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Patrícia Costa

Lula promete proteger produtores da Amazônia contra tarifaço e inaugura Centro Policial

Governo lança fundo emergencial, mas ainda falta estratégia de longo prazo para economia e segurança na região

Patricia Costa

açaí
Foto 4 Pixabay

Em dois dias seguidos, a Amazônia esteve no centro da agenda presidencial. Primeiro, com a declaração de que nenhum pequeno ou médio produtor será prejudicado pela tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos. Depois, com a inauguração, em Manaus, do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia. Dois anúncios distintos, mas que revelam o mesmo dilema: a vulnerabilidade da região diante de pressões externas e da ausência de políticas estruturantes. No campo econômico, a criação de um fundo emergencial e a compra da produção para a merenda escolar são medidas de curto prazo para segurar a renda de quem vive da castanha, do açaí e do mel. Mas continuam sendo soluções paliativas. Grande parte desses produtos ainda é exportada in natura, com baixo valor agregado. Isso significa perder oportunidades de multiplicar por até dez vezes o retorno econômico, caso fossem transformados em derivados como óleos, farinhas, energéticos, cosméticos ou nutracêuticos. A bioeconomia só será uma realidade quando deixar de depender de commodities brutas e passar a investir em industrialização sustentável, emprego local e inserção competitiva no mercado global.

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Na área da segurança, a inauguração do Centro Policial em Manaus. Pela primeira vez, estados brasileiros e países vizinhos compartilharão informações em tempo real para enfrentar crimes transnacionais. Narcotráfico, garimpo ilegal e desmatamento não respeitam fronteiras, e exigem resposta articulada. O Plano Amazônia – Segurança e Soberania, financiado com recursos do Fundo Amazônia, mostra que a presença do Estado precisa ser reforçada. Mas a tecnologia só fará diferença se houver capilaridade, chegando às comunidades onde hoje o crime organizado oferece mais alternativas do que o próprio poder público. Economia e segurança se cruzam na Amazônia. Sem agregar valor à produção e sem garantir alternativas sustentáveis, não haverá renda para a população local. Sem presença estatal forte e coordenada, o crime continuará ocupando espaço. Os dois anúncios desta semana são importantes sinais de vontade política, mas precisam sair do terreno das respostas emergenciais para se transformar em estratégia duradoura.