Em 1978, Julinho Botelho reclamava da falta de pontas e não apostava na seleção
Revirando os arquivos da Jovem Pan encontrei uma entrevista em que Julinho Botelho (1929-2003), ponta direita que disputou a Copa de 1954, na Suíça, estava pessimista com a participação do Brasil no mundial da Argentina, em 1978. O ex-jogador reclamava que o clubes não investiam mais na formação de atletas e dizia que os campos de várzea estavam desaparecendo em São Paulo.
Julinho foi um dos grandes nomes do esporte nacional na década de cinquenta. O ponta direita, habilidoso, atuou por Juventus, Palmeiras, Portuguesa e Fiorentina, da Itália. No mundial de 1954, defendeu as cores da seleção brasileira que foi eliminada pela poderosa Hungria, em Berna, por 4 a 2, nas quartas de final. O atleta marcou um dos gols da equipe comandada por Zezé Moreira.
Já em 1958, o ponta estava atuando pela Fiorentina. Ao ser sondado pela CBD (atual CBF) para disputar a Copa na Suécia, declinou da possibilidade de defender as cores nacionais. Julinho, conhecido pela correção, achou injusta a possibilidade de ocupar a vaga de alguém que estivesse atuando no futebol brasileiro. No fim de maio, ele voltou ao país para defender o Palmeiras. Na época, a imprensa discutia à exaustão: quem era melhor, Julinho ou Garrincha?
Em 1959, depois do primeiro título mundial da seleção, o ponta foi convocado para um amistoso contra a Inglaterra, no Maracanã, e jogaria justamente no lugar de Garrincha. A torcida não se conformou com a ausência de Mané e vaiou Julinho, que arrebentou com o jogo, marcou um dos gols na vitória por 2 a 0 e saiu aplaudido do maior estádio do mundo.
Já em 1978, Julinho tinha pendurado as chuteiras, mas trabalhava com as equipes de base da Portuguesa. Em entrevista a Wanderley Nogueira, ele demonstrava pessimismo em relação ao futebol brasileiro e apostava que a Argentina estaria na final da Copa daquele ano. Os donos da casa não só se classificaram para a decisão, como foram campeões. Sobre o Brasil, treinado por Cláudio Coutinho e que ficou em terceiro lugar, o ex-jogador demonstrava pessimismo.
Mais uma gravação raríssima disponível no Memória da Pan.
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Thiago Uberreich
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