Em novembro 1958, um grande incêndio atingiu o estádio do Noroeste de Bauru
Relendo o livro “Eu sou Pelé”, escrito por Benedito Ruy Barbosa, em 1961, o Rei relembrou um caso que marcou a cidade de Bauru, onde ele motou com os pais, até a adolescência, antes de ir para o Santos:
“(…) Aconteceu que, nessa época, comecei a fazer amizade com uma turminha do barulho e, logicamente, meu comportamento no grupo [escolar] caiu muito. Matava aulas para jogar futebol num campinho que ficava e fica, ainda, atrás do campo velho do Noroeste, aquele que pegou fogo, durante uma partida entre o Noroeste e o São Paulo, há algum tempo. (…).”
Confesso que não me recordava de ter lido sobre esse incêndio e, então, recorri aos jornais da época. A Folha da Noite, edição de 24 de novembro de 1958, registrou o fato do dia anterior, um domingo:
“Incêndio de grandes proporções ocorreu ontem no Estádio do Noroeste, quando lá jogavam as equipes local e do São Paulo F.C. As gerais de madeira da praça de esportes do clube bauruense foram devoradas rapidamente pelas chamas. O mais que puderam fazer os bombeiros foi impedir que o fogo ganhasse outras dependências do Estádio. Ainda assim, algumas residências vizinhas ao campo foram bastante danificadas. O número de vítimas foi exíguo e nenhuma delas sofreu ferimentos fatais por verdadeiro milagre. Atendendo a orientação do serviço de policiamento, os torcedores não se deixaram tomar de pânico e se retiraram do Estádio sem atropelos. (…).”
O incêndio começou quando aos vinte e cinco minutos do primeiro tempo, quando o duelo estava empatado por zero a zero. O pânico tomou conta dos torcedores que começaram a correr. Como a estrutura da arquibancada era de madeira, o fogo se espalhou rapidamente. Os feridos foram levados para o Hospital Regional de Bauru. O jornal O Globo informou que a falta de água prejudicou o combate às chamas:
“Aos 25 minutos da primeira fase, quando jogavam Noroeste e São Paulo F. C., este um dos líderes do certame bandeirante, irrompeu um incêndio nas gerais do Estádio Alfredo Castilho. O fogo, que começara no madeirame em volta da praça de esportes, propagou-se rapidamente, alarmando a grande assistência que lotava as dependências do campo. As dependências de madeira foram completamente destruídas. O trabalho dos bombeiros foi prejudicado pela falta de água. O público, dentro do que se poderia esperar, comportou-se bem, pois não se registaram acidentes de maior monta, com danos pessoais. Foram medicadas no Hospital Regional de Bauru as seguintes pessoas: Roberto Alves de Sousa (23 anos), com fratura da perna, José Paulo Costa (14 anos), Duíno Travassos (23 anos), e os guardas-civis Sebastião Carlos Chefer, Paulo Augusto Marquês, Luis Vicente de Luca e o sargento Mário Martins. Dos acidentados, apenas o primeiro permanece internado naquele nosocômio. Três casas próximas do estádio também foram atingidas. O juiz argentino Juan Brozzi, ao perceber os acontecimentos, suspendeu imediatamente a partida. (…).”
Depois do incidente, começou a ser construído o Estádio Ubaldo de Medeiros, hoje Doutor Alfredo de Castilho, conhecido como Alfredão. A nova praça de esportes de Bauru foi inaugurada em junho de 1960.
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Thiago Uberreich
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