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Comportamento

O que os candidatos à presidência vestem e por quê?

Da tradição de Lula e Caiado ao visual outsider de FLávio Bolsonaro Renan Santos, a moda também virou ferramenta de campanha

Talita Souza

candidatos à presidência
candidatos à presidência Reprodução/Instagram

A imagem sempre esteve associada ao poder. Quadros, moedas e bustos foram utilizados ao longo da história para construir e preservar a imagem de reis, imperadores e líderes políticos. 

Um dos exemplos mais conhecidos na política moderna aconteceu na disputa presidencial americana de 1960 entre John F. Kennedy e Richard Nixon. O primeiro debate televisionado da história colocou os dois candidatos diante de uma audiência inédita e mostrou como a televisão poderia alterar a percepção sobre um político. Kennedy, mais jovem e visualmente mais adequado ao novo meio, acabou sendo percebido como mais seguro e preparado.

Hoje, a projeção aumentada exponencialmente com os canais digitais transformou os políticos em (quase) celebridades. Em uma eleição tão marcada pela disputa de atenção, construir uma imagem reconhecível pode ser tão importante quanto construir um bom discurso.

Falar sobre moda na política não é necessariamente falar de quem se veste bem ou mal. É sobre gerar conexão, comunicar uma mensagem com clareza e representar um grupo. 

E não é só a roupa em si, mas o jeito de usar. O estilo de cabelo, os acessórios que compõem o visual, a armação do óculos, o sapato escolhido e até a modelagem das peças (mais justa, mais ajustada ou mais larga). 

Mas a escolha de uma determinada roupa e forma de usar, por si só, não cria um símbolo. Para que isso aconteça, é preciso criar repetição. É a frequência com que determinado elemento aparece que faz com que ele deixe de ser apenas uma escolha estética e passe a ser associado àquela pessoa. 

FOTO: Reprodução/Instagram

O chapéu panamá usado por Lula talvez seja o acessório mais comentado. O atual presidente já usou outros adornos de cabeça, desde o chapéu de couro, eternizado por Luiz Gonzaga, para remeter a sua origem e dialogar com o eleitorado nordestino, até o boné O Brasil é dos Brasileiros, que funcionou como uma oposição ao usado por Donald Trump.

Apesar de ser uma recomendação médica, o uso do chapéu nesse estilo usado por Lula é um ponto de equilíbrio visual, entre a modelagem mais estruturada e o acessível, por conta da trama artesanal e dos materiais naturais.

Aqui também vale falar do vice de Lula. Nos últimos anos, Geraldo Alckmin chamou a atenção pelo uso de meias coloridas. Um adereço super informal que contrasta com a alfaiataria tradicional e representa também uma tentativa de humanizar uma imagem política tradicional, introduzindo um elemento inesperado em uma composição bastante convencional. Essa escolha foi intencional para dialogar com um público mais progressista e quebrar a imagem antiga de uma pessoa mais certinha.

Reprodução/Instagram

Uma coisa que o Romeu Zema busca fazer de certa forma, quando escolhe camisas ou camisetas coloridas que chamam mais atenção ainda que a base das roupas escolhidas seja mais tradicional.

FOTO: Reprodução/Youtube

Flávio Bolsonaro reproduz tanto a estética do conservadorismo quanto alguns elementos que são legado de seu pai, com o uso de cores da bandeira mesmo em modelagens formais e camisetas da seleção em momentos de interação.

Apesar disso, talvez Ronaldo Caiado seja o mais tradicional, pois segue as escolhas clássicas dos políticos, sempre com camisa clara e terno azul.

Reprodução/Instagram

Já Renan Santos vai em um caminho bem diferente. Ao usar peças de roupas mais informais, como camisetas ou blazers e jaquetas mais desconstruídas, ele mostra que é um outsider, tenta se diferenciar da política tradicional também no jeito de se vestir. Escolhas que lembram muito as feitas por Pablo Marçal na última disputa pela prefeitura de São Paulo.

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