JOVEM PAN

Jovem Pan
TV Ao Vivo
Jornal Jovem Pan | 20h00 - 22h30
Negócios

Era dos chatbots acabou’: agentes de IA precisam ser proativos

Agentes de inteligência artificial com capacidade de iniciar tarefas e tomar decisões sem comando prévio do usuário devem estar presentes em 40% dos aplicativos corporativos até 2026, ante menos de 5% em 2025, segundo projeção do Gartner divulgada em 26 de agosto de 2025. A mudança marca a transição do chatbot tradicional, que responde apenas quando acionado, para o chamado agente proativo, capaz de sugerir e executar ações antes que o gestor peça.

Giovanni Coco

Era dos chatbots acabou’: agentes de IA precisam ser proativos
FIM DA ERA DOS CHATBOTS, CHEGARAM OS AGENTES DE IA Divulgação

Agentes de inteligência artificial com capacidade de iniciar tarefas e tomar decisões sem comando prévio do usuário devem estar presentes em 40% dos aplicativos corporativos até 2026, ante menos de 5% em 2025, segundo projeção do Gartner divulgada em 26 de agosto de 2025. A mudança marca a transição do chatbot tradicional, que responde apenas quando acionado, para o chamado agente proativo, capaz de sugerir e executar ações antes que o gestor peça.

O movimento foi resumido pelo presidente-executivo da Microsoft, Satya Nadella, em evento da companhia, quando declarou que “entramos na era dos agentes de IA”. Em entrevistas recentes, Nadella também afirmou que a fase do chatbot chegou ao fim. O termo que ganhou tração no setor para a nova geração é “IA agêntica”. Para Tom Coshow, diretor sênior de análise do Gartner, trata-se de “sistemas que podem planejar autonomamente e tomar ações para atingir objetivos”.

A pesquisa global McKinsey & Company “The State of AI in 2025”, publicada em novembro de 2025, mostra que 62% das organizações no mundo já experimentam agentes de IA e que 23% declaram ter escalado algum sistema agêntico dentro da empresa. A consultoria estima que a IA agêntica pode adicionar entre US$ 2,6 trilhões e US$ 4,4 trilhões por ano à economia global, desde que as empresas levem os pilotos para produção em escala.

Diferença na prática

A distância entre o modelo reativo e o proativo aparece no dia a dia das operações. Um chatbot comum responde a uma pergunta e encerra a interação. Um agente proativo monitora dados, percebe padrões e aciona fluxos sem que o usuário peça, por exemplo, comparando cotações de fornecedores, revisando um contrato antes do vencimento ou abrindo um chamado quando detecta falha em um equipamento. Em texto publicado em seu blog pessoal, o fundador da Microsoft, Bill Gates, disse que esses agentes “são capazes de fazer sugestões antes mesmo de você pedir” e “melhoram ao longo do tempo porque lembram das suas atividades”.

Brasil acompanha o movimento

No Brasil, o avanço segue direção parecida. Levantamento da consultoria Ília Digital aponta que cerca de 9 milhões de empresas no país já usam IA de forma sistemática, o equivalente a 40% do total de negócios registrados. O estudo “Inteligência Artificial e Manutenção no Brasil”, da Fracttal, mostra que 68% das empresas brasileiras confiam na tecnologia para reduzir custos operacionais e evitar falhas em linhas de produção.

Mesmo com o avanço, o McKinsey registra que dois terços das organizações no mundo não começaram a escalar IA pelo conjunto da empresa. Apenas 39% dos entrevistados relatam impacto da IA no lucro operacional (EBIT) em nível corporativo. A distância entre pilotos e resultado financeiro concreto é o principal obstáculo citado pelos pesquisadores.

Gargalos da virada proativa

Três fatores aparecem nos relatórios como barreira para a passagem do estágio reativo para o autônomo: – Governança de dados: sem dados organizados, o agente não aprende nem antecipa com precisão; – Integração profunda: agentes que rodam como camada paralela não substituem os fluxos antigos; – Redesenho de processos: copiar o fluxo humano para o agente não gera ganho de produtividade.

O relatório “Advanced Analytics and AI Services” do ISG aponta que governança de dados voltou ao centro das discussões em projetos brasileiros de IA em 2025. Sem essa base, os agentes autônomos reproduzem erros históricos em velocidade maior.

A segurança entra no mesmo pacote. O relatório do Gartner “How to Respond to the 2025-2026 Threat Landscape” alerta para injeção de comandos e sequestro de automações como novos riscos à medida que os agentes passam a acessar APIs corporativas e dados sensíveis. A recomendação da consultoria é definir limites de ação, logs de auditoria e revisão humana em decisões críticas.

Para Haritha Khandabattu, diretora sênior de análise do Gartner, o investimento em IA em 2025 passou a priorizar entrega operacional em vez de experimentação. “Com o investimento em IA forte em 2025, há ênfase maior em usar IA para escalabilidade operacional e inteligência em tempo real”, disse em comunicado publicado em agosto de 2025.

Fonte: Gartner (comunicado de 26/08/2025), McKinsey “The State of AI in 2025” (nov/2025), Ília Digital, Fracttal, ISG, Bill Gates (blog pessoal), Satya Nadella (evento Microsoft).