O luxo está em liquidação
Enquanto nós produzimos com criatividade, continuamos consumindo a validação externa
Desde a última semana, um modelo de sapato específico ronda as rodas de conversas com amigos e grupos de discussão de que participo. Uma das marcas brasileiras mais conhecidas do segmento lançou um modelo claramente inspirado na última coleção da Chanel: um cap toe que se assemelha na forma e na cor da marca francesa.
Para completar, o nome dado ao lançamento faz referência à Margot Robbie, nova embaixadora da marca.
No momento em que eu vi o anúncio dessa coleção, eu não perdi tempo em salvá-la em duas listas. Primeiro, na lista de temas para esta coluna, pronta para criticá-la. Segundo, na minha wishlist (ou lista de desejos).
Um sentimento contraditório, eu sei. Mas também justificável.
O mercado da moda de luxo sabe muito bem como gerar desejo. Parte dessa estratégia está na inacessibilidade dos produtos.Por outro lado, a indústria varejista espertamente se mimetiza as estéticas importadas em uma velocidade cada vez maior e dentro de um sistema que permite o acesso ao grande público.
Parece mágica: uma marca gera o desejo e outra dá o acesso.
Apesar de contarmos com uma série de marcas incríveis, com design autêntico, matérias primas e produção nacional, somos, também, atacados com uma avalanche de informações e reproduções de conteúdos, informações e repetições de estéticas de grandes marcas consolidadas. Nessa competição, as marcas autorais já saem perdendo.
O caso que citei acima não é o primeiro e está longe de ser o último. Até porque a importação cultural não é um fenômeno criado pela moda e nem será solucionado por ela.
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