Feliz no SporTV, Muricy celebra nova fase e é incisivo: “não vou voltar ao futebol”

  • Por Jovem Pan
  • 18/04/2017 11h36

Muricy Ramalho está trabalhando como comentarista especial dos canais SporTV

Muricy Ramalho está trabalhando como comentarista especial dos canais SporTV

Muricy Ramalho, 61, não quer mais saber de prancheta, campo e bola. E nem cogita mais ocupar salas diretivas de clubes de futebol. Se depender vontade dele, a relação com o esporte mais popular do planeta só continua assim, sem o envolvimento de outrora. 

Comentarista esportivo desde novembro de 2016, o ex-técnico está feliz da vida. Como analista especial dos canais SporTV, Muricy convive com menos pressão, tem mais tempo para ficar com a família e – o principal – pode cuidar da saúde. 

“Estou gostando. É uma coisa diferente. Não sou jornalista, mas, de vez em quando, dou uns palpites sobre o trabalho dos treinadores. Estou feliz. É legal, dá menos estresse, resumiu o tetracampeão brasileiro, em entrevista exclusiva a Nilson Cesar que vai ao ar no próximo fim de semana, na Rádio Jovem Pan. 

A satisfação é tão grande que um possível retorno ao futebol – antes até imaginado – hoje está fora dos planos. “Eu não quero voltar. Já me convidaram… Mas eu não quero voltar. Estou feliz com o que estou fazendo agora. Estou convivendo com a minha família, coisa que eu nunca fiz… Então, não vou voltar, não. É definitivo.

Muricy também falou sobre Rogério Ceni, analisou a dicotomia entre “técnicos estudiosos” e “técnicos medalhões” e disparou contra o que se convencionou chamar de “futebol moderno”. 

Confira abaixo! 

Como está o seu trabalho como comentarista esportivo? 

“Estou gostando. É uma coisa diferente. Não sou jornalista, mas, de vez em quando, dou uns palpites sobre o trabalho dos treinadores. Estou feliz. Está legal, dá menos estresse. É muito bom“. 

Há alguma chance de você voltar a trabalhar dentro do futebol? 

“O meu filho é são-paulino… Às vezes, ele vai ao Morumbi e me convida. Mas eu falo: ‘eu não quero nem ir, porque vou lá e os caras começam a falar que eu quero voltar’. Eu não quero voltar. Já me convidaram… Mas eu não quero voltar. Estou feliz com o que estou fazendo agora. Estou convivendo com a minha família, coisa que eu nunca fiz… Então, não vou voltar, não. É definitivo“. 

O que você achou da opção do Rogério Ceni? De ser técnico um ano depois de se aposentar? 

“Cada um faz as suas escolhas... O Rogério escolheu essa maneira mais direta, de pular da carreira de ex-jogador para a de técnico. Eu, por exemplo, escolhi começar na base, fui auxiliar do Telê, do Parreira… Foi o meu plano. Eu acho que o Rogério sabe da cobrança que é ser técnico. É um caminho duro, porque ele vai ter de aprender com os jogos, já que não teve uma escola… Mas o Rogério é um cara inteligente. Sabe do que vai acontecer pela frente. Ele vai aprendendo com as derrotas… Vai sofrer um pouquinho, porque está apenas começando, mas é o tempo que vai dizer“.

Você vê o Rogério como um bom gestor de pessoas? 

Eu o vejo como um grande líder. É difícil falar, porque eu não o conheço como técnico, e sim como jogador e pessoa… Mas, com certeza, ele sabe da importância de se fazer uma boa gestão de jogadores. É um cara muito inteligente”. 

Como você analisa essa dicotomia entre técnicos medalhões” técnicos estudiosos”? 

“As pessoas não podem achar que os estudos de futebol começaram agora… Não! A gente também estudava lá atrás. Eu também fiz vários cursos, participei de palestras internacionais. Então, o estudo não é de agora. É que, depois do 7 a 1, começaram a falar que o grande negócio é estudar. Estudar faz parte, é obrigação de qualquer técnico. Agora, a prática é totalmente diferente. O cara tem de aplicar esse estudo na prática, e, quando a bola rola, é muito diferente de quando você fala. Um time de futebol não é só escalar, treinar… Isso é o mais fácil. O problema é o dia-a-dia. Há muita pressão, muitos interesses. Então, eu não vejo muito sentido em separar os técnicos entre ‘os de antigamente’ e ‘os de agora’. É muito parecido. No fim, o que vai valer é o resultado”. 

O que você pensa sobre o tal “futebol moderno”, em que os volantes também atacam, e os atacantes também marcam? 

“Isso é uma grande bobagem. Em 1982, jogavam Falcão e Cerezo, dois caras que não marcavam ninguém, só jogavam, e jogavam bonito. O que acontece é que hoje, depois do 7 a 1, vem esse papo de que o volante moderno é o que joga… O futebol, na verdade, não mudou tanta coisa. O que mudou no futebol, realmente, foi a intensidade e a quilometragem. Hoje, os caras correm 13km, 14km por jogo, enquanto, antes, corriam 5km, 6km. A parte física hoje é mais importante. Só isso”.