Botafogo: Honda estreará no futebol brasileiro em jogo sem torcida
Paulo Autuori confirmou que Keisuke Honda vai estrear pelo Botafogo no próximo domingo, às 16h, contra o Bangu, pela Taça Rio. A CBF definiu nesta sexta que os jogos devem acontecer sem torcida, e em entrevista coletiva divulgada nesta, o treinador aproveitou a oportunidade para questionar a postura dos dirigentes na condução do caso.
Para ele, não receber torcedores não acaba com o problema. “A princípio, [Honda] vai jogar. A questão é: futebol sem torcida perde um dos protagonistas, que é o público. Tomar a decisão de jogar de portões fechados… Aí eu pergunto: jogadores e comissão estão imunes, são de raças diferentes? Não faz sentido. Se evita para os torcedores, evite para os outros também. Parece que o profissional de futebol é uma raça que está imune a qualquer problema”, disse.
A tendência é que Honda assuma a vaga de Cortez no meio campo. “Isso está sendo preparado desde que ele começou a treinar com o grupo. Temos algumas hipóteses, algumas opções. O que é bom, não ter apenas uma. Ele nos dá essa possibilidade. No jogo com o Boavista, como a equipe jogou em termos de escalação? Fica essa dica, é uma opção”, disse. Na partida, Cortez atuou como meia central e Bruno Nazário na ponta direita.
Autuori teceu muitos elogios à Honda, alguns que vão além das quatro linhas. “Em países como o nosso, ele é, além de outras coisas, um banho de cidadania. Disciplina, lado profissional, como se sente envergonhado se não tiver performance… São coisas do japonês que transcendem o futebol”.
Em campo, Honda deve agregar e tornar a equipe mais ofensiva, na avaliação do treinador. “Como jogador, vai agregar porque joga sempre com o olhar no gol adversário, joga para frente. Temos que saber fazer isso. Se recuar a bola, é para gerar espaço no adversário e ter um caminho mais vertical. Quando ele vai receber a bola, o corpo já está preparado para fazer o jogo fluir para frente. É importante todos os jogadores entenderem isso.”
Ainda sobre o coronavírus, Autuori disse que o futebol não pode ficar alheio a uma questão tão séria, e cobrou decisões céleres dos clubes e federações. Se parar, tem que parar tudo. Se tiver que mudar o calendário, que mude. Não houve Copa do Mundo em tempos de guerra. Hoje, não há guerra entre povos, ainda bem, mas vivemos uma guerra contra um vírus. Precisamos de medidas responsáveis.Essas tomadas de decisão têm que ser corajosas. Não importa muito tempo hábil. Me parece que clubes co-irmãos fecharam até para imprensa. É porque afeta todo mundo. Nós, que somos afetados pelo futebol, somos pessoas como as outras. Não podemos ficar alheios. É um respeito que tem haver com todos”, disse.
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