Cobrar direitos das emissoras de rádio? Alvaro Dias promete lutar contra projeto da CBF: ‘Não é inteligente’

  • Por Jovem Pan
  • 14/10/2019 18h05
Gabriela Biló/Estadão ConteúdoAlvaro Dias é senador federal pelo PODEMOS-PR

Em entrevista exclusiva ao jornalista Wanderley Nogueira, do Grupo Jovem Pan, o senador Alvaro Dias (PODEMOS-PR) demonstrou preocupação, mas prometeu lutar com todas as forças contra uma ideia da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) que, se aprovada, significará o fim do rádio esportivo como conhecemos hoje no Brasil.

A polêmica modificação já está em discussão e ganhou robustez com uma recente entrevista de Andrés Sanchez. O presidente do Corinthians questionou o atual número de veículos de comunicação presentes na cobertura de jogos de futebol no Brasil e fortaleceu um projeto que já existia dentro da entidade que comanda o esporte no País: o de passar a cobrar também das emissoras de rádio direitos de transmissão de competições nacionais.

Para Alvaro Dias, tal decisão seria ‘um exagero’ e provocaria drásticas consequências ao veículo que mais ajuda a divulgar o futebol no Brasil. “Pelos serviços prestados pelo rádio ao futebol brasileiro, eu imagino que a transmissão da forma como ocorre hoje, sem cobrança, é uma retribuição”, opinou. “No dia a dia, em todo momento, o rádio é o maior promotor do espetáculo. Durante toda a semana, os cronistas esportivos do rádio promovem os eventos que ocorrerão no sábado, no domingo… O rádio é o maior divulgador. Ele estimula, motiva, faz com que a torcida vá aos estádios. Certamente o rádio é responsável por boa parcela dos torcedores que frequentam os estádios. Então, é fundamental que o rádio tenha essa proteção”, acrescentou.

A alegação da CBF é de que os clubes precisam de dinheiro. E, por isso, alguns dirigentes têm se unido para fazer o projeto caminhar. Alvaro Dias, porém, discorda de tal justificativa.

“Os clubes de futebol cobram ingresso para que os torcedores possam ir ao estádio. As emissoras de rádio, por sua vez, não têm condições de fazer o mesmo com os seus ouvintes. Aí está uma grande diferença. A contribuição que as emissoras de rádio oferecem para estimular a presença de torcedores nos estádios também tem um preço. Eu não considero essa medida inteligente. Há um exagero. Há outras formas de se arrecadar recursos por parte dos clubes, que, por sinal, precisam ser melhor administrados”, afirmou.

Dias revelou também, que, assim como Jorge Kajuru (CIDADANIA-GO), agirá no Senado Federal para impedir que o projeto avance. “Devo ir à CBF em breve, provavelmente no dia 25 de outubro, e vou defender esta tese, de que o rádio tem de ter um tratamento diferente do destinado à televisão. A dificuldade é maior. Se tiverem de pagar cota aos clubes, muitas emissoras de rádio serão eliminadas dos campos de futebol, provocando desemprego. Então, temos de ter inteligência e verificar qual é a relação custo-benefício dessa providência. No meu entendimento, o custo é elevado e o benefício, insignificante, diante da grandeza do rádio na transmissão do espetáculo esportivo”, finalizou.

Confira, abaixo, a entrevista exclusiva de Alvaro Dias à Jovem Pan na íntegra: