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Copa do Mundo

Lumumba Vea: o silêncio que incomodou a FIFA

Torcedor Michel Nkuka Mboladinga (conhecido como Lumumba Vea) fica imóvel por 90 minutos, em pose que homenageia Patrice Lumumba

Wanderley Nogueira

Lumumba Vea
Lumumba Vea JUANCHO TORRES / ANADOLU / ANADOLU VIA AFP

A FIFA se incomodou com a ‘presença silenciosa’ — o tributo imóvel do torcedor ‘Lumumba Vea’ —, principalmente por considerar que se tratava de uma manifestação política.

Motivo principal: regras da FIFA contra protestos políticos nos estádios. A entidade proíbe manifestações políticas, religiosas ou de qualquer natureza durante os jogos.

O torcedor Michel Nkuka Mboladinga (conhecido como Lumumba Vea) fica imóvel por 90 minutos, em pose que homenageia Patrice Lumumba (símbolo da independência do Congo e da luta anticolonial). Em alguns jogos, ele acrescentou gestos como cobrir a boca ou simular uma arma na cabeça — interpretados como protesto contra o ‘silêncio’ internacional sobre os conflitos no leste do Congo (violência, exploração mineral e crise humanitária).

A FIFA viu o tributo como ativismo político disfarçado, violando sua ‘neutralidade’. Para muitos africanos e ativistas, porém, é apenas uma homenagem cultural e histórica legítima.

Lumumba Vea assistiu a jogos no México, mas não conseguiu visto para os EUA (alegação oficial: surtos de Ebola). O Congo foi eliminado pela Inglaterra, com um futebol de ótimo nível. Lumumba Vea não estava em Atlanta, mas sua mensagem pacífica chegou ao mundo com um ‘estrondoso silêncio’.