Benfica de Jesus já gastou R$ 370 mi em reforços; entenda de onde veio tanto dinheiro

“Tivemos um ato de coragem”, disse o diretor executivo do clube português, ao explicar a origem dos recursos

  • Por Jovem Pan
  • 28/08/2020 11h16
Antonio Cotrim/EFEJorge Jesus foi apresentado como novo treinador do Benfica no início de agosto

A atual janela de transferências do futebol europeu tem como uma das sensações o Benfica, de Portugal. O time comandado agora pelo técnico Jorge Jesus é o oitavo clube do continente que mais investiu em contratações neste período e sozinho gastou mais do que o triplo dos demais times portugueses em reforços. Até agora foram aplicados R$ 370 milhões para trazer seis atletas, entre eles os brasileiros Pedrinho, Everton Cebolinha e Gilberto. O Benfica deve ir até mais além. O clube já acenou com outras tentativas para fazer com que esta janela seja a de maior investimento na história da equipe. A pedido de Jesus, a diretoria chegou a abrir negociações com o uruguaio Edinson Cavani e sondou o Palmeiras para pagar R$ 117 milhões pelo volante Patrick de Paula. O ex-técnico do Flamengo até mesmo sugeriu nomes de antigos comandados: Gerson e Bruno Henrique.

Os recursos para todas essas negociações vieram após a diretoria do clube tomar uma decisão arriscada. Entre junho e julho, o Benfica se financiou via emissão de títulos de sua dívida na Bolsa de Valores. A ideia foi um sucesso. A procura superou a oferta e, em vez de arrecadar o equivalente a R$ 330 milhões, como era esperado, a equipe conseguiu cerca de R$ 460 milhões. Após descontos com comissões, impostos e consultoria, restou para o Benfica ter à disposição R$ 320 milhões. “Tivemos um ato de coragem. Mas a resposta logo no primeiro dia permitiu-nos confirmar que os investidores mantinham a confiança”, disse o diretor executivo do clube, Domingos Soares de Oliveira, sobre a decisão financeira. Segundo os balanços do Benfica, a equipe tem conseguido diminuir as dívidas de forma drástica. Em junho de 2019, as pendências somavam R$ 853 milhões. Seis meses depois, eram de R$ 297 milhões. A redução foi de 65%.

Quem comemora o resultado destas operações é o treinador recém-contratado. Jesus voltou à equipe movido pela ambição de montar um elenco competitivo e levar o Benfica de volta ao título da Liga dos Campeões da Europa. A última conquista foi em 1962. “Não vim para melhorar meu contrato salarial, vim para ganhar menos dinheiro que ganhava no Flamengo. Vim para o Benfica porque acredito em um projeto, porque acredito que essa nação tem todas as condições de fazer o Benfica grande, recuperar o prestígio internacional”, disse o treinador. O retorno à equipe depois de cinco anos fez Jesus estar com prestígio o suficiente para pedir vários reforços. E o Benfica tem se esforçado para atender. O conhecimento acumulado no futebol brasileiro levou o técnico a indicar o atacante Everton Cebolinha, destaque do Grêmio, e o lateral-direito Gilberto. Completam o grupo de novidades o ex-corintiano Pedrinho, contratado em fevereiro, o goleiro Helton Leite, o meia alemão Waldschmidt e o zagueiro belga Vertonghen.

Cebolinha revelou na chegada ao clube que a presença do “Mister” foi fundamental para que escolhesse o Benfica. “Tive boas referências do Mister por outros atletas que trabalhavam com ele e sempre me diziam que é um excelente treinador. Pude comprovar isso. Foi um cara que teve importância dessa escolha. Pude acompanhar o trabalho dele e quis experimentar”, afirmou o ex-atacante do Grêmio. O ex-corintiano Pedrinho também destacou a ansiedade por trabalhar com Jesus. “Acho que ele resgatou o verdadeiro futebol brasileiro. É sempre bom jogar com alguém que gosta do jogo, alguém que adora futebol”. Fora Jorge Jesus, outro personagem importante de todo esse processo sobre o Benfica é o presidente do clube, Luís Filipe Vieira. No cargo desde 2003, ele está no quinto mandato e se envolve diretamente com várias negociações. Inclusive, foi o próprio dirigente quem viajou ao Rio de Janeiro em julho para convencer o então técnico do Flamengo a voltar para Portugal.

*Com informações do Estadão Conteúdo