Como o Paris Saint-Germain planeja ter Messi sem violar regras do fair play financeiro?

Segundo o jornal espanhol ‘Marca’, sócios do Barcelona fizeram uma denúncia à Comissão Europeia na semana passada sobre o não cumprimento das normas pelo PSG

  • Por Jovem Pan
  • 09/08/2021 11h54 - Atualizado em 09/08/2021 19h09
Reprodução/ TwitterLionel Messi está perto de assinar contrato com o PSG

O Paris Saint-Germain está prestes a anunciar o seu principal reforço de todos os tempos. Trata-se de Lionel Messi, seis vezes o melhor do mundo e que deixou o Barcelona após 21 anos. Para isso, no entanto, a diretoria do clube francês deverá vender jogadores e reforçar o seu caixa para se enquadrar nas regras rigorosas do fair play financeiro, que estão em vigor desde 2010 no futebol europeu. De acordo com o jornal L’ Équipe, a cúpula parisiense espera conseguir 180 milhões (R$ 1,08 bilhão, na cotação atual) em vendas para se adequar às normas. Isso significa que o PSG talvez tenha de abrir mão de algumas estrelas, como o atacante Kyllian Mbappé, que tem contrato até julho de 2022.

Após fazer uma emocionante despedida no Barcelona, Messi pode chegar ao Parque dos Príncipes, casa do PSG, nesta segunda-feira, 9, para realizar exames médicos e assinar contrato. Oficialmente, o time de Paris garante ter espaço na folha salarial para dar aumento ao craque francês sem ferir o fair play financeiro da Uefa. O treinador Mauricio Pochettino afirma que uma possível chegada do argentino não significaria o adeus de Mbappé. “Não falei (com Messi)”, disse Pochettino em coletiva de imprensa antes da vitória diante do Troyes na abertura do Campeonato Francês. “E qualquer movimento não significaria que Kylian partiria”, afirmou. “Um jogador do calibre de Messi, isso é o que é interessante para mim. O clube está trabalhando em várias opções, mas devemos nos concentrar no jogo com Troyes”, completou.

O fair play financeiro foi criado em 2010 para obrigar os clubes a gastarem de acordo com sua arrecadação, que precisam equilibrar as despesas do futebol, como a contratação de jogadores e pagamento de salários, com as receitas de televisão, ingressos e as ações dos departamentos comerciais. O máximo que podem gastar a mais do que arrecadam é 30%. O dinheiro gasto em estádios, instalações de treinamento, desenvolvimento de jovens ou projetos comunitários está isento. Essa verificação é feita por meio de uma prestação de contas à Uefa. O objetivo é impedir lavagem de dinheiro e que clubes menores quebrem ao arriscarem altos investimentos.

Segundo o jornal espanhol “Marca”, sócios do Barcelona fizeram uma denúncia à Comissão Europeia na semana passada sobre o não cumprimento do fair play financeiro pelo PSG. “Os índices do PSG em termos de fair play financeiro são piores que os do Barcelona. Na temporada 2019/20, a relação entre salários e rendimentos da equipe parisiense era de 99%, enquanto a do Barça era de 54%”, diz trecho da denúncia. Por conta dessas regras, poucos clubes poderiam contratar Messi atualmente. “Por mais incrível que pareça, adquirir o Messi é um problema para alguns clubes da elite financeira do futebol europeu. Esses clubes estão atados às regras do fair play financeiro, que limita substancialmente seus gastos, fazendo com que seja necessário uma complexa engenharia financeira para a contratação do atleta”, explica Eduardo Carlezzo, advogado especializado em direito desportivo e transferências.

*Com informações do Estadão Conteúdo