Não é só por dinheiro: entenda por que Andrés e CBF querem cobrar direitos de transmissão das emissoras de rádio

  • Por Jovem Pan
  • 15/10/2019 12h16
Peter Leone/O Fotográfico/Estadão ConteúdoAndrés Sanchez é o atual presidente do Corinthians

“É claramente um cenário em que a imprensa é vista como inimiga”.

Jornalista responsável por revelar a intenção do vice-presidente da CBF, Francisco Novelletto, de passar a cobrar das emissoras de rádio direitos de transmissão das competições nacionais de futebol a partir de 2020, Filipe Gamba, do site GaúchaZH, revelou o que está por trás da ideia que, se aprovada, significará o fim do rádio esportivo como conhecemos hoje no Brasil.

Em entrevista exclusiva a Wanderley Nogueira, do Grupo Jovem Pan, Gamba confirmou que foram as polêmicas declarações dadas por Andrés Sanchez, presidente do Corinthians, antes do jogo contra o Grêmio, em Porto Alegre, no dia 05/10, que acionaram o gatilho do movimento.

No dia seguinte à entrevista concedida na zona mista da Arena Grêmio, Andrés almoçou com Francisco Novelletto, presidente da Federação Gaúcha de Futebol e vice-presidente da CBF. Durante a conversa, o mandatário do Corinthians mostrou, entre outras coisas, que estava disposto a seguir em frente com um projeto que, não coincidentemente, já existia há alguns anos dentro da entidade.

“Eu conversei com o Novelletto e, entre tantas explicações, ele me revelou qual era o assunto que, na opinião dele, estava incomodado o presidente Andrés Sanchez. Era a questão de, hoje, não haver uma espécie de regulamentação para que a imprensa frequentasse os estádios de futebol no Brasil principalmente nas competições organizadas pela CBF”, revelou Filipe Gamba.

“Ele citou até alguns exemplos, de jogos do Corinthians em São Paulo com cerca de 50, 60, 70 pessoas fazendo a cobertura e nem todas jornalistas, que faziam perguntas, de acordo com as palavras do Novelletto, sem responsabilidade. Isso, na visão deles, atrapalha”, acrescentou, deixando claro que a motivação do projeto não passa apenas por questões financeiras.

“A partir daí, há um movimento que foi liderado pelo Andrés Sanchez e que, na CBF, está sendo comandado pelo Novelletto de, já no ano que vem, começar a fazer a cobrança dos direitos de transmissão não só das emissoras de rádio tradicionais, mas também de webrádios, portais, blogs… A leitura é simples: como só vai transmitir quem vai pagar e ter condições de comprar os direitos, esse número de pessoas que fazem parte da cobertura de um jogo de futebol hoje no estádio vai diminuir”, explicou Gamba.

Segundo o jornalista, a tendência é de que o vice-presidente da CBF se dedique e tente colocar a ideia em prática o quanto antes. “O Francisco Novelletto ficou, digamos assim, muito sensibilizado com o relato do Andrés Sanchez e defende muito essa ideia de passar a cobrar direitos”, afirmou. “Em determinado momento da conversa, eu ponderei para o Novelletto: ‘mas isso vai acabar com muitas rádios que, hoje, fazem cobertura de maneira independente’. E ele me respondeu: ‘e que acabem! Se não têm condições de pagar por uma transmissão, que deixem de existir!’. Na visão dele e do Andrés, essas emissoras muito mais atrapalham do que ajudam”, finalizou.

Novelletto e o presidente do Corinthians, porém, não terão vida fácil. Como já deixaram claro também em entrevistas exclusivas ao Grupo Jovem Pan, os senadores Jorge Kajuru (CIDADANIA-GO) e Alvaro Dias (PODEMOS-PR) vão atuar em Brasília para tentar barrar o projeto.