Mano promete Palmeiras brigando por título, ‘releva’ críticas e confirma estreia

  • Por Jovem Pan
  • 05/09/2019 13h08
ReproduçãoMano Menezes, novo treinador do Palmeiras

Mano Menezes foi apresentado no Palmeiras na tarde desta quinta-feira (5). Em seu primeiro discurso como comandante do Verdão, o experiente treinador afirmou em foco total pelo título do Campeonato Brasileiro, amenizou as críticas sofridas pelos torcedores e confirmou que estará no banco na partida diante do Goiás, no próximo sábado (7), no Serra Dourada.

“O Palmeiras tem condição de brigar por título do Campeonato Brasileiro. Pode se dedicar e vai se dedicar pelo título. As próximas rodadas serão determinantes para isso. Parou de pontuar na proporção extraordinária, mas tem capacidade para retomar porque tem clube, tem time, tem estrutura, tem torcida. E vamos trabalhar para isso”, afirmou Mano, em entrevista coletiva.

Antes de começar a responder perguntas da imprensa, Mano Menezes tratou de elogiar o trabalho do antecessor Luiz Felipe Scolari e afirmou que se entregará de “corpo e alma”.

“Estou assumindo o trabalho com o objetivo de entregar de corpo e alma porque entendo que ao técnico é necessário que seja assim. Não existe meio-termo na nossa profissão. Os momentos que se sucedem às trocas são momentos de cuidado para saber que não se troca tudo de dia para a noite. E que, no caso do Palmeiras, na minha visão, não precisa ser trocadas na sua totalidade. Pode passar batidos nos momentos difíceis, mas o Palmeiras ganhou dois dos últimos três campeonatos. Os últimos anos são de grandes vitórias, então você não pode deixar que se destrua isso do dia para a noite”, declarou.

Horas após ser anunciado como novo técnico do Alviverde, Mano Menezes recebeu muita crítica da torcida palmeirense, que foi às redes sociais em peso para manifestar o seu descontentamento com a escolha do novo treinador.

Parte da rejeição dos torcedores se deve pelo fato de Mano ter trabalhando no Corinthians, além de implantar um estilo de jogo parecido com o de Felipão. O treinador amenizou a pressão e falou em trabalhar duro.

“Quando eu recebi o convite na segunda-feira à noite, levei em consideração todos os aspectos da situação. Mas não podemos fazer o que não é da nossa alçada, só podemos fazer o que pertence a nós. Podemos mudar a situação dentro do campo, sem fazer milagre porque o que temos de qualidade de elenco e estrutura são propícias para você entregar o que o torcedor quer. Vamos trabalhar para isso e fazer a nossa parte. O Palmeiras é muito maior que todas essas questões. Eu encontrei muitas pessoas que sentem a confiança e a retomada em mim. Porque olham para trás e enxergam o meu trabalho”, comentou.

“Bom, eu gostaria de lembar que estamos em 2019 e certas discussões e questões fazem parte de um tempo mais para trás. O mundo está mais globalizado e, na medida que as coisas estão mais próximas, as coisas ficam mais naturais. Muitos já fizeram esse caminho e eu quero seguir os profissionais que fizeram isso com sucesso. As coisas ficam voltadas para lenda”, continuou.

Veja outros pontos da entrevista

Filosofia de jogo

Já vi gente se referir a isso de forma positiva: construindo uma filosofia. Eu tento respeitar a filosofia de clube. Um mesmo técnico muda de estilo durante o tempo. E, se você olhar para trás, eu mudei várias vezes. As pessoas falam muito de volante. Na seleção, por exemplo, meus volantes eram Paulinho e Ramires.

A gente constrói o estilo da equipe com base no que temos no elenco. O Palmeiras precisa ir pela ordem: conseguir resultados e, a partir daí, construir um futebol bonito, que o pessoal gosta e virar uma referência. Lá atrás, nas Academias, também tiveram características diferentes. Mas o torcedor gostou do resultado. E esse é o objetivo do treinador: fazer com que o torcedor goste de ver o time jogar.

Mano igual ao Felipão?

Seria bem fácil falar que eu jogo totalmente diferente. Seria um desrespeito com o Felipão porque eu não faria isso. Ele escolheu uma maneira de jogar, que vinha bem até a parada da Copa América. Vamos olhar de agora para frente. Vocês vão ver logo logo a maneira da equipe jogar. Depois de essa escolha, que eu pretendo fazer rápido, aí a gente faz evoluções.

Rejeição

O trabalho é mais importante do que tudo. Você não tem garantia nenhuma no futebol. A gente tem a ideia e quem tem mais investimento e capacidade, vai vencer. Não é assim. Passam temporadas que você não consegue ser campeão. Mas penso que o Palmeiras tem que estar entre os primeiros, sempre estar entre os protagonistas. É uma exigência que a gente tem com essa estrutura e time.

Também não temos garantia com unanimidade grande. E, sabemos, que se andar bem, o torcedor vai ser o primeiro a reconhecer. Da mesma forma, se não for bem, ele será o primeiro a criticar.

Saída do Cruzeiro e do Felipão

Não traço um paralelo porque não sei a realidade do Palmeiras. O mais importante é identificar, conhecer e aí sim tentar encaixar num curto prazo um modelo importante. Mas não dá para traçar paralelo entre um lugar que você conheceu e outro não.

Acordo rápido com o Palmeiras 

Quando saí do Cruzeiro, minha ideia era não dirigir nenhum clube até o final do ano. Mas existem situações que são especiais. E essa minha com o Palmeiras é especial porque nós já havíamos conversado desse trabalho ser realizado há dois anos. E por questões de escolhas, treinamento e continuidade no Cruzeiro, eu decidi ficar lá. Então já havia uma convicção de que iríamos trabalhar juntos.

Ser criticado antes de estrear no Palmeiras

São novos tempos porque antigamente a gente esperava trabalhar para depois criticar. Eu entendo que esse deva ser o caminho da retomada. A vida é assim. O torcedor tem o direito de se manifestar. Vamos trabalhar para que ele seja feliz e sinta orgulho de ver o time jogar.

Aproveitar mais a base

O que eu penso sobre isso: você precisa abrir espaço para esses jogadores no elenco principal. Subir é fácil, mas na medida que chegam jogadores renomados e consagrados, você não vai ter o jogador mais jovem porque ele oscila mais. E ninguém quer isso porque ele pode deslizar em jogos decisivos. Então, temos alguns jogadores mais jovens que chegaram, o Angulo, Estevam… vamos olhar esses jogadores do que é o contexto do Palmeiras hoje e dar um espaço real para uma aproveitamento.

Vai estrear contra o Goiás

Vou dirigir a equipe contra o Goiás. Estarei acompanhando dos profissionais que treinaram nesta semana, mas a partir de hoje a gente começa a direcionar a formação que a equipe vai usar neste jogo. Mas acho presença do treinador no banco, acho emblemático para o início de uma nova era.

Estilo de jogo no Palmeiras. 

Solidez defensiva não quer dizer um time defensivo. Quer dizer que o adversário não tem facilidade para entrar na sua defesa. Penso que temos jogadores com capacidade para propor, agora vamos essa transição.. Você sabe que não é de um jogo para o outro. Mas vamos fazer de maneira segura porque é o que eu preciso dar aos jogadores para fazer o caminho sem sustos. Na pressa, você acaba extrapolando e ficando no meio do caminho.

Importante a ambição dos jogadores sobre o que se quer. A expectativa deles do que vamos construir. Porque todos trabalham em cima sobre essa ideia e aí o comprometimento é melhor.

Encaro como uma oportunidade. Elas aparecem e você tem que decidir se as quer. E quando decide, tem que se preparar. Porque rezar todo mundo reza. Mas não basta. Depois de deci