STJD aceita recurso e devolve 3 pontos ao Brusque após ato de racismo contra Celsinho

Desta forma, a agremiação catarinense chega aos 44 pontos, pula para a 14ª colocação e vê as chances de permanência na competição aumentar

  • Por Jovem Pan
  • 18/11/2021 17h26 - Atualizado em 18/11/2021 18h42
Reprodução Celsinho, Londrina x Brusque Celsinho, do Londrina, foi alvo de injúria racial por parte de um dirigente do Brusque

O Supremo Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) aceitou, em sessão realizada nesta quinta-feira, 18, o recurso do Brusque e retirou a punição que resultava na perda de três pontos do clube por ato racista praticado pelo conselheiro Júlio Antônio Petermann contra o meia Celsinho, do Londrina, em uma partida da Série B. Na decisão, a maioria do tribunal determinou somente a perda de um mando de campo, a ser cumprido em campeonato nacional, além do pagamento de multa de R$ 60 mil. Desta forma, a agremiação catarinense chega aos 44 pontos, pula para a 14ª colocação e vê as chances de permanência na competição aumentar.

Já quanto a punição ao conselheiro Júlio Antônio Petermann, o STJD decidiu mantê-lo suspenso de suas funções no Brusque por 360 dias. Além disso, a multa de R$ 30 mil foi mantida. Presente na sessão, Celsinho lamentou a decisão do tribunal. “(A ofensa) partiu de um presidente do conselho de um clube que deveria dar um exemplo. Isso é inadmissível. Ninguém me procurou depois para saber como eu estava, o que tinha acontecido ou um mínimo pedido de desculpas. E soltaram uma nota como se eu quisesse procurar essa situação. Um dos meus filhos já me perguntou se deveria evitar deixar o cabelo como o meu para não acontecer algo assim com ele. Foi um dano profissional e peso grande para mim”, disse o jogador do Londrina.

Celsinho foi alvo de ofensas racistas no confronto de 28 de agosto. Na saída do campo, ele afirmou que foi chamado de “macaco” por Júlio Antônio Petermann, presidente do Conselho Deliberativo do Brusque. Na súmula, o árbitro Fábio Augusto Santos Sá relatou que o meia ouviu a frase “vai cortar esse cabelo, seu cachopa de abelha”. Após a repercussão, o Londrina divulgou um vídeo em que era possível ouvir um grito de “macaco”. O clube catarinense, em um primeiro momento, disse que o atleta estava sendo oportunidade. Com a repercussão negativa e a perda de um patrocinador, a diretoria pediu desculpas e decidiu afastar o conselheiro. Punidos com a perda de três pontos na tabela da Série B, atletas e funcionários do Brusque emitiram uma nota, em outubro, reivindicando uma pena mais branda.