Jorginho vê fim da Portuguesa após nova queda: “fechar as portas seria mais digno”

  • Por Jovem Pan
  • 09/09/2016 18h24

Revelado pela LusaRevelado pela Lusa

Rebaixada oito vezes nos últimos 14 anos, a Portuguesa protagonizou mais um fracasso retumbante, no último domingo, em Minas Gerais: o descenso à longínqua e vergonhosa Série D do Campeonato Brasileiro. A nova queda, agora à última divisão do futebol nacional, expõe todas as fragilidades do clube rubro-verde e deixa no ar um enorme ponto de interrogação. Será que a Lusa vai encontrar forças para se reerguer? Na opinião de um dos maiores ídolos da história do clube, não: a Portuguesa, na prática, já acabou. 

Em entrevista exclusiva ao repórter Zeca Cardoso, da Rádio Jovem Pan, Jorginho Cantinflas desabafou. Atleta rubro-verde nos anos 80, o paulistano de 51 anos comparou o rebaixamento da Lusa à Série D com a morte de um irmão e deu um duro conselho ao clube pelo qual sempre foi apaixonado: encerrar as atividades. 

Fechar as portas seria mais digno“, afirmou Jorginho, durante a franca entrevista concedida a Zeca Cardoso. Acaba, para por aí, deixa a história do jeito que está… Morreu o assunto. Entrega o patrimônio, paga para quem deve e sai limpa. Eu não consigo mais ver a colônia unida como era… Acabou, morreu. Hoje, é cada um por si. Esqueceram a Portuguesa. O melhor é acabar e deixar o nome intacto“, complementou.

Foram oito rebaixamentos amargados pela Portuguesa desde 2002. Todos machucaram o torcedor lusitano. Os últimos quatro, no entanto, ajudaram a afundar de vez o clube que, sabe-se lá como, ainda conseguia rivalizar com o poderoso Trio de Ferro da capital paulista em um passado não tão distante. 

Desde que Héverton foi escalado de maneira irregular na aparentemente inofensiva 38ª rodada do Campeonato Brasileiro de 2013, a Lusa nunca mais foi a mesma: caiu da Série A para a B no tribunal, e foi da segunda à quarta divisão em um intervalo de três anos.

Quando não caiu no Brasileiro, a Portuguesa foi rebaixada no Estadual: desde 2015, joga a Série A2 do Campeonato Paulista. 

Não bastasse isso, a situação do clube rubro-verde é ainda mais delicada fora das quatro linhas. Afundada em dívidas, a Lusa sofre para arrecadar dinheiro com bilheteria, não atrai investidores e pode perder o seu estádio em breve. O Canindé, afinal, vai a leilão a partir de 7 de novembro. 

Infelizmente, o final da Portuguesa é o mais escuro possível...”, lamentou Jorginho. “Eu não consigo ver uma luz no fim do túnel, porque, politicamente, não há ninguém com potencial para ser um líder, alguém que todos respeitem e que tenha força financeira de comando para salvar a Portuguesa, acrescentou o treinador, atualmente sem clube. 

As causas para a derrocada da Lusa, de acordo com Jorginho, vão além da falta de capacidade de dirigentes e jogadores. Para o ídolo rubro-verde, é impossível que um clube do estirpe da Portuguesa tenha se afundado tanto, e em tão pouco tempo, apenas por questões relacionadas a campo e bola. 

Para afirmar uma coisa dessas sem prova é muito difícil... Mas não pode ter sido só incompetência. É fruto de muitas coisas erradas que fizeram nos últimos anos. Não sei o que, quando, onde e como... Mas não pode ter sido só incompetência“, insinuou, possivelmente se referindo ao polêmico rebaixamento da Portuguesa à Série B em 2013 – o descenso foi definido após a controversa e irregular escalação de Héverton na última rodada do Campeonato Brasileiro, contra o Grêmio, em São Paulo.

“Como perder um irmão 

Não é exagero dizer que Jorginho Cantinflas deve quase tudo o que conquistou no futebol à Portuguesa. Revelado pelo clube em 1983, o ex-meia jogou na equipe por nove temporadas e, depois de aposentado, foi técnico do time rubro-verde por duas ocasiões.  

Na primeira, em 2011, ganhou o título da Série B com uma equipe que jogava um futebol vistoso, apelidada de “Barcelusa”. Já na última, em agosto de 2016, tentou ajudar, sem sucesso, o clube a desempenhar melhor na Série C – o técnico não soube lidar bem com a nova realidade da Portuguesa e foi demitido após menos de três meses. 

“Eu voltei para tentar ajudar. Foi como um irmão que doa sangue para outro, na UTI... Mas, logo que cheguei ao clube, vi que o buraco era maior do que eu imaginava. Infelizmente, eu não consigo mais ver saída para a Portuguesa“, lamentou Jorginho, antes de relatar o que sentiu ao ver o time do coração rebaixado para a Série D. 

“Foi como perder um irmão, porque, quando eu precisei, a Portuguesa me abriu as portas. Se eu conquistei alguma coisa no futebol, foi porque ela me ajudou no início. Para mim, é muito difícil ver o clube nessa situação. Eu, infelizmente, não tive força suficiente para poder ajudá-lo… Isso me deixa ainda mais machucado”, encerrou. 

Para relembrar como a Portuguesa se afundou e chegou à Série D do Campeonato Brasileiro, ouça, abaixo, as matérias especiais de Zeca Cardoso, da Rádio Jovem Pan.