Paes diz que suspeita de irregularidades em obra olímpica é alvo de polícia
Para o prefeito Eduardo Paes (PMDB), a suspeita de irregularidades no Complexo Esportivo de Deodoro, na zona oeste do Rio de Janeiro, que forçaram o bloqueio no repasse de recursos para o consórcio-construtor e viraram foco da investigação de uma força-tarefa, é alvo estritamente de polícia. Paes garantiu que a fiscalização das obras olímpicas é rigorosa e bem feita pelos órgãos envolvidos.
Estima-se que haverá uma redução do valor final do contrato do complexo de Deodoro na ordem de R$ 20 milhões. Paes lembrou que a obra, onde serão realizadas disputas olímpicas e paraolímpicas, era um compromisso do governo federal, que passou para o governo estadual, e depois virou responsabilidade do município em 2014. Em março, R$ 128,5 milhões que seriam destinados ao consórcio responsável pela obra foram bloqueados por causa das suspeitas de irregularidades.
Na terça-feira (07), uma força-tarefa envolvendo a receita, a Polícia Federal, a AGU e outros órgãos, cumpriu mandados de busca e apreensão nas construtoras OAS e Queiroz Galvão, protagonistas da Lava Jato.
Há a suspeita de irregularidades no volume de transportes dos resíduos da obra e na destinação deste lixo, e também indicativos de que houve fraude em documentos usados para superfaturar o contrato. O prejuízo pode chegar a R$ 85 milhões.
Eduardo Paes disse que ajustes estão sendo feitos no projeto desde que a prefeitura assumiu a obra em 2014, o que explica a economia de R$ 20 milhões: “Vai terminar no preço, ela está no preço e vai ter uma redução de algo em torno de R$ 20 milhões, porque a gente tirou algumas coisas. O projeto original tinha um boulevard que levava para uma área que é de um quartel general do exército. Seria um boulevard para ninguém usar, só se fosse para os soldados marcharem, que custava não sei quantos milhões”.
O principal problema para as Olimpíadas no momento é o velódromo, que vai ficar pronto em cima da hora. Entre outros problemas estão a ciclovia Tim Maia, que cedeu parcialmente no feriado de Tiradentes, matando duas pessoas, e o VLT, que no primeiro dia de operação experimental teve problemas com o fornecimento de energia e um trem parou deixando muita gente a pé. O Elevado do Joá, que faz ligação entre a zona sul e oeste, também já está repleto de buracos na pista.
Paes admitiu que existem problemas inaceitáveis na preparação da cidade e criticou a decisão da Justiça eleitoral, que suspendeu a distribuição de cerca de 550 mil ingressos para os jogos, sob argumentos de que poderia configurar um crime de uso da máquina pública em ano eleitoral. Paes negou e disse que a ideia era popularizar os jogos e evitar o clima elitista que vimos na Copa do mundo: “A Olimpíada não pode ser só para ricos, tem que ser para todos. A gente vai prestar esclarecimentos, mas eu gostaria de ver gente mais humilde, mais pobre, gente trabalhadora da cidade nos estádios. Teria horror de ver os estádios só com gente com cara de alemão e norueguês, loiros de olhos azuis”.
Informações do correspondente da Jovem Pan no Rio de Janeiro, Rodrigo Viga.
Comentários
Conteúdo para assinantes. Assine JP Premium.