Cria da Bahia e fã de Olodum: Conheça Hebert Conceição, segundo brasileiro a ganhar o ouro no boxe

Pugilista nascido em Salvador repete o feito de Robson Conceição, de quem é fã, homenageia o lendário treinador Luiz Doréa e solta os pulmões: ‘Bora, Bahia’

  • Por Jovem Pan
  • 07/08/2021 07h24 - Atualizado em 07/08/2021 16h11
Wander Roberto/COB Hebert Conceição exibe a segunda medalha de ouro da história do boxe brasileiro

O pugilismo da Bahia, que já revelou ao mundo Acelino “Popó” Freitas e Robson Conceição — o primeiro brasileiro a ganhar um ouro olímpico, na Rio 2016 —, acaba de comemorar o feito de outro filho da terra. O soteropolitano Hebert Conceição, de 23 anos, nocauteou o ucraniano Oleksandr Khyzhniak no terceiro round e se igualou ao conterrâneo Robson, de quem não é parente, apesar de compartilhar o sobrenome. Hebert nunca negou que tem o Conceição mais velho como espelho. E certamente ficará feliz quando ouvir as palavras que Robson soltou no ar durante a transmissão do SporTV após a conquista olímpica de seu pupilo. “Nunca subestime um homem com sede de vitória, com vontade de vencer. Isso eu vejo no Hebert. Um grande campeão, um novo campeão olímpico para o boxe brasileiro. Motivo de muito orgulho e muita felicidade.”

Robson Conceição não é o único modelo do novo campeão. Hebert é treinado pelo lendário Luiz Dórea, quem, entre outros baianos bons de briga, revelou Popó e o próprio Robson, além da paulista Adriana Araújo, medalhista nos Jogos de Londres 2012. Formado na Academia Champion, de Doréa, o mais novo campeão olímpico despontou em 2018, após ganhar uma medalha de bronze nos Jogos Sul-Americanos de Cochabamba, na Bolívia. No ano seguinte, faturou uma prata no Pan-Americano de Lima, no Peru, e um bronze no Mundial de Ecaterimburgo, na Rússia. Não à toa, Hebert Conceição reverenciou seu treinador após a maior conquista da carreira.

Também teve ode à Bahia durante a trajetória do boxeador em Tóquio. Após conquistar a medalha dourada, Hebert dedicou o título a todos brasileiros, esperando ter levado alegria ao país neste momento em que há “muitas pessoas muito tristes, que perderam seus empregos e seus entes queridos”, mas também recordou as origens, com pronúncia característica do Estado: “É Brasil, bora Bahêa”. Torcedor do Esporte Clube Bahia, ele também carregou outra grande referência da Boa Terra em suas lutas. O pugilista foi embalado pela música “Madiba”, do Olodum. Composta em 2015, a canção homenageia Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul, mas seus versos cabem muito bem para Hebert Conceição: “Nobre guerreiro negro de alma leve, nobre guerreiro negro lutador, que os bons ventos calmos assim te levem para onde você for”.

Confira AQUI o quadro de medalhas em tempo real

Ouça a música que embalou Hebert Conceição em Tóquio: