Presidente do COI desabafa e admite que Jogos causaram dúvidas: ‘Houve noites sem dormir’

‘Quando você olha para esta situação em retrospectiva hoje, pode parecer que foi um mar de rosas, o que está longe da verdade’, disse Thomas Bach, há três dias do início da Tóquio-2020

  • Por Jovem Pan
  • 20/07/2021 08h50 - Atualizado em 20/07/2021 19h58
Denis Balibouse/EFEThomas Bach é o atual presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI)

Presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach fez uma espécie de desabafo nesta terça-feira, 20, há três dias da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Tóquio, marcada para as 8 horas (de Brasília). Em reunião da entidade na capital japonesa, o alemão reconheceu que teve problemas para dormir em razão das mudanças causadas pela pandemia do novo coronavírus no mundo, e disse que também teve dúvidas quanto à realização da Olimpíada de Tóquio. “Quando você olha para esta situação em retrospectiva hoje, pode parecer que foi um mar de rosas. Isto está longe de ser verdade. Nos últimos 15 meses, tivemos que tomar decisões diárias com base em situações muito incertas. Tínhamos dúvidas todos os dias. Nós deliberamos e discutimos. Houve noites sem dormir”, declarou o dirigente.

“Como todas as outras pessoas no mundo, não sabíamos, eu não sabia, o que o futuro nos reservaria. Alguns perguntaram por que não expressamos essas dúvidas. Alguns interpretaram isso até mesmo como um sinal de que avançamos cegamente a qualquer preço. Nossas dúvidas poderiam ter se tornado uma profecia autorrealizável. Os Jogos Olímpicos poderiam ter se despedaçado. Por isso, tínhamos que guardar essas dúvidas para nós”, completou Bach, que não revelou publicamente seus questionamentos para não “jogar lenha na fogueira” dos medos sobre os Jogos. “Isso hoje eu posso admitir e dizer que também pesou sobre nós, pesou sobre mim. Imagine por um momento o que significaria se o líder do Movimento Olímpico, o COI, tivesse acrescentado às já muitas dúvidas em torno dos Jogos Olímpicos, se tivéssemos jogado lenha nesta fogueira…”