Guerra no Oriente Médio: quanto tempo vai durar e quais os impactos mundiais?
Em uma semana, a guerra entre Israel e o Hamas já deixou mais de 3.000 mortos e aproximadamente 500 mil deslocados internos, além de uma crise humanitária na Faixa de Gaza. A situação no Oriente Médio tem gerado preocupação na comunidade internacional, afinal, mais um conflito pode mexer drasticamente com a economia mundial e as questões de direitos humanos. Além disso, a guerra entre Israel e Hamas mostra sinais de que podem escalar para outras regiões, como Síria e Líbano, que já registraram ataques. Precisar quanto tempo a guerra vai levar é uma tarefa difícil, até porque nenhuma das partes se mostra disposta a realizar negociações. O grupo terrorista visa acabar com o Estado de Israel e extinguir os judeus. Já o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu prometeu aniquilar com o Hamas. O fato de Israel ter convocado mais de 300 mil reservista para o confronto — chegou a disponibilizar aeronaves para buscar os cidadãos que estavam em outro país, incluindo no Brasil — leva o mundo a acreditar que a guerra no Oriente Médio será de longa duração.
Os especialistas ouvidos pelo Porta da Jovem Pan alertam que, além de ser algo relativo, é preciso levar em consideração o que significa uma longa guerra para Israel. Vitelio Brustolin, professor de relações internacionais da UFF e pesquisador de Harvard, fala que, para tentar idealizar quanto tempo o confronto vai durar, é preciso questionar o que é uma guerra de longa duração para Israel, visto que a Guerra dos Seis Dias durou o tempo que o nome sugere e envolveu uma série de país. Já a Guerra do Yom Kippur durou três semanas. “Israel geralmente faz operações muito rápidas, inclusive operações preventivas, como foi na Guerra dos Seis Dias. Mas também é uma situação de guerra. O Netanyahu declarou guerra logo no início, e não quer correr o risco de aumentar a possibilidade dela escalar”, projeta o especialista, acrescentando que a convocação desses reservistas — o total do Exército de Israel é de mais de 600 mil pessoas — pode ser um instrumento de dissuasão.

Primeiro-ministro de Israel, Benjamín Netanyahu, visita o kibutz Beeri e o kibutz Kfar Aza │EFE/Avi Ohayon/GPO
“Uma boa parte deles para realmente dissuadir, caso haja intenção de um ataque em mais de uma frente de batalha”, disse Brustolin, se referendo ao possível ingresso do Hezbollah e da Síria na guerra. Depois da convocação, os reservistas se apresentaram rapidamente, algo, que como o professor enfatiza, o mundo vê como exemplar no Exército de Israel. Karina Calandrin, colaboradora do Instituto Brasil-Israel e doutora em relações internacionais, com foco em Oriente Médio, relembra que esse número de convocados foi muito expressivo. “Toda vez que há convocação de reservistas em Israel já se atende uma luz vermelha porque demonstra que pode ser uma operação longa”, destaca a professora, que acredita que o conflito possa durar mais do que um ou dois meses. “É uma operação que seria considerada longa, porque nós estamos falando de uma região pequena, territorialmente falando, que é Gaza, e uma força militar forte como é Israel, atuando mais de um mês na região seria uma invasão bastante longa”, explica.
Christopher Mendonça, cientista politico e professor de relações internacional do Ibmec Belo Horizonte, alerta que se o conflito durar muito tempo, pode ser prejudicial para o mundo inteiro. “Aquela região é muito sensível em razão da grande posse que eles têm de petróleo. Então a Opep, que é a Organização dos Países Produtores e Exportadores de Petróleo, é composta basicamente por países árabes que estão ali na região: Irã, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos”, recorda. “Nesse sentido, o envolvimento possível de qualquer país que esteja naquela região pode impactar diretamente no preço do barril de petróleo, que gera um impacto muito grande na economia mundial e também na elevação do preço do dólar”, pontua o professor, apontando que a elevação do dólar certamente tem impactos diretos sobre a economia do mundo todo. Para além da parte econômica, Mendonça também fala do impacto na questão dos direitos humanos, que “certamente vai afetar até mesmo outros conflitos que estejam acontecendo de forma simultânea no mundo, como a invasão russa à Ucrânia ou aqueles no continente africano”, explica.
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