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Hamas quer troca ‘imediata’ de prisioneiros antes de negociar com Israel no Egito

Novo ciclo de negociações ocorre às vésperas do segundo aniversário do conflito em Gaza, iniciado após o ataque a Israel em 7 de outubro de 2023

Felipe Cerqueira

Rua Al Nassr vazia durante operação militar israelense na Cidade de Gaza
Daily life in destoyed Gaza City neighbourhoods Mohammed Saber/EFE/EPA

O Hamas afirmou neste domingo (5) que está disposto a chegar a um acordo e iniciar imediatamente uma troca de prisioneiros com Israel, antes mesmo do início das negociações mediadas pelo Egito sobre o plano proposto por Donald Trump para encerrar a guerra em Gaza. Ministros das Relações Exteriores de diversos países, incluindo o Egito — principal mediador no conflito —, afirmaram que o diálogo representa uma oportunidade real de cessar-fogo após quase dois anos de confrontos.

Segundo um dirigente do movimento islamista, que controla Gaza desde 2007, “o Hamas está muito interessado em pôr fim à guerra e iniciar imediatamente o processo de troca de prisioneiros”. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou no sábado (4) ter instruído seus negociadores a finalizar os “detalhes técnicos” do possível pacto. O Egito confirmou que receberá uma delegação do Hamas para conversas indiretas com representantes israelenses, previstas para domingo e segunda-feira.

O novo ciclo de negociações ocorre às vésperas do segundo aniversário do conflito em Gaza, iniciado após o ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023. O presidente americano Donald Trump, autor da proposta de trégua, enviou ao Cairo o genro Jared Kushner e o assessor Steve Witkoff para acompanhar as tratativas. Trump advertiu o Hamas que não “tolerará qualquer atraso” na execução do plano. Netanyahu afirmou esperar que os reféns israelenses sejam libertados até a festa judaica de Sucot, que começa nesta segunda-feira e dura uma semana. “Espero que nos próximos dias possamos trazer de volta todos os nossos reféns”, disse em pronunciamento televisivo.

Na sexta-feira (3), o Hamas já havia manifestado disposição em negociar imediatamente a libertação dos reféns e o fim da guerra. Em resposta, Trump pediu a Israel que “cesse imediatamente os bombardeios em Gaza” para permitir a libertação “segura e rápida” dos sequestrados. No sábado à noite, manifestações em Tel Aviv e Jerusalém pediram o fim do conflito e cobraram de Trump a garantia do cumprimento do acordo.

O presidente afirmou em sua rede Truth Social que Israel aceitou uma linha inicial de retirada de Gaza e que o cessar-fogo entrará em vigor assim que o Hamas confirmar o pacto. “Quando o Hamas confirmar, o cessar-fogo entrará em vigor imediatamente, começará a troca de reféns e prisioneiros, e criaremos as condições para a próxima fase da retirada”, escreveu Trump, junto de um mapa do plano.

Bombardeios continuam

Apesar do anúncio de avanços diplomáticos, os ataques israelenses seguiram em Gaza. Segundo a Defesa Civil local, 57 pessoas morreram nos bombardeios de sábado, sendo 40 na Cidade de Gaza. Moradores relataram intensificação dos ataques após o anúncio de Trump. “Agora quem vai deter Israel? Precisamos que as negociações avancem mais rápido para deter este genocídio”, disse Mahmoud Al Ghazi, de 39 anos. O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou que a ofensiva para tomar a Cidade de Gaza já deslocou cerca de 900 mil palestinos.

Em resposta ao plano de Trump, o Hamas declarou que deve participar das decisões sobre o futuro de Gaza, enquanto a proposta americana prevê que o grupo e outras facções não terão papel na administração do território. O plano propõe o fim das hostilidades, a libertação dos reféns, a retirada gradual de Israel e o desarmamento do Hamas. A administração provisória ficaria sob responsabilidade de um organismo técnico de transição liderado por Trump.

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O conflito iniciado em 2023 já deixou 1.219 mortos em Israel, a maioria civis, segundo balanço da AFP com base em dados oficiais. Durante o ataque do Hamas, 251 pessoas foram sequestradas, das quais 47 ainda estão em cativeiro e 25 foram declaradas mortas. A ofensiva israelense de represália já provocou pelo menos 67.139 mortes em Gaza, a maioria civis, segundo o Ministério da Saúde local — números considerados confiáveis pela ONU.

*Com informações da AFP
Publicado por Felipe Dantas

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