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ONU acusa governo da Venezuela de mais de 200 assassinatos nos últimos 6 meses

A portuguesa María Valiñas, presidente da Missão Internacional da ONU, falou hoje perante o Conselho de Direitos Humanos da organização

Guilherme Strabelli

As execuções extrajudiciais persistem na Venezuela, onde as forças policiais realizaram mais de 200 assassinatos desde setembro de 2020, conforme denunciou nesta quarta-feira, 10, a Missão Internacional da ONU para investigar as violações dos direitos humanos no país sul-americano. A portuguesa María Valiñas, presidente da missão, falou hoje perante o Conselho de Direitos Humanos da ONU para analisar a evolução das liberdades fundamentais na Venezuela desde que apresentou seu primeiro relatório, em setembro de 2020, e destacou que a repressão contra continua. Sobre as execuções extrajudiciais, prática denunciada pela missão há seis meses, Valiñas citou exemplos como a operação policial ocorrida em janeiro em Caracas, da qual participaram 650 agentes e ocorreram vários assassinatos. A jurista lembrou ainda que no dia 6 de dezembro do ano passado, o país realizou eleições parlamentares “injustas e sem liberdade”.

Como exemplo, María Valiñas citou a prisão, em 25 de fevereiro, do parlamentar Gilberto Sojo, por acusações de terrorismo, ou a manutenção do processo penal contra o ex-deputado da Assembleia Nacional Juan Requesens, acusado de crimes como tentativa de homicídio contra o presidente Nicolas Maduro. “Estamos preocupados que seu julgamento seja realizado a portas fechadas sem justificativa aparente”, disse Valiñas, também citando que os processos criminais estão sendo mantidos em mais de dois terços das 110 detenções arbitrárias contra dissidentes políticos e militares já documentados no relatório anterior. A demora nesses processos causou “danos graves e, em alguns casos, irreparáveis”, disse a presidente da missão. A advogada também destacou que pelo menos 36 novos casos de detenções arbitrárias foram documentados desde setembro, alguns deles com motivação política, e nove deles contra jornalistas.

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A portuguesa também denunciou que, desde o início da pandemia da Covid-19, mais de 20 pessoas foram detidas na Venezuela por “compartilhar informações ou criticar a resposta do governo à pandemia”. Após as declarações de Valiñas, o embaixador venezuelano nas Nações Unidas em Genebra, Héctor Constant, disse que o relatório da missão “mais uma vez apresenta informações falsas, extremamente politizadas, tendenciosas, seletivas e sem qualquer equilíbrio”. Ele acrescentou que na preparação do documento recorreram a “fontes inventadas ou publicações anônimas nas redes sociais, o que constitui uma vergonha acadêmica”, pela qual acusou a missão de esbanjar mais de US$ 8,3 milhões do orçamento do Conselho dos Direitos Humanos da ONU.

*Com informações da EFE