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Presidente eleito anuncia fim dos diálogos de paz com guerrilhas na Colômbia

Há duas semanas, Abelardo de la Espriella deu prazo de um mês para que os grupos armados ilegais se entreguem à Justiça

Estadão Conteúdo

Abelardo de la Espriella
Entre outras medidas, Espriella anunciou que extinguirá a assessoria presidencial para a paz, JOAQUIN SARMIENTO / AFP

O presidente eleito da Colômbia, o ultradireitista Abelardo de la Espriella, afirmou na segunda-feira (13) que suspenderá qualquer diálogo em andamento entre os grupos ilegais e a administração do presidente Gustavo Petro, o primeiro governante de esquerda da história da Colômbia.

“Acaba-se o comissário para a paz porque não haverá mais processos de falsa paz no meu governo”, declarou o presidente eleito nas redes sociais.

Entre outras medidas, Espriella anunciou que extinguirá a assessoria presidencial para a paz, após a política de diálogos diretos do governo ter fracassado em obter o desarmamento de poderosos grupos armados.

Ele acrescentou que “o objetivo será a segurança do povo e o desmonte total do perverso sistema de impunidade que reina neste momento e que será encerrado assim que eu assumir o cargo”, em 7 de agosto.

Há duas semanas, De la Espriella deu prazo de um mês para que os grupos armados ilegais se entreguem à Justiça e afirmou que não fará “concessões inaceitáveis”, em referência às políticas do governo que deixa o poder para o desarmamento de guerrilhas e grupos narcotraficantes.

A extinção da assessoria para a paz fará parte da eliminação de mais de 200 cargos na Presidência, medida que será adotada quando ele assumir o mandato de quatro anos.

De la Espriella promoverá uma reestruturação na sede da Presidência que, segundo ele, permitirá uma economia de 10 bilhões de pesos (US$ 3,1 milhões). Algumas das funções serão transferidas para ministérios como os do Interior e da Defesa, segundo o político.

Desde a campanha, De la Espriella anunciou que pretende extinguir a Jurisdição Especial para a Paz (JEP), que classifica como um “tribunal de vingança” que profere sentenças com “assimetria”.

A JEP, criada pelo acordo de paz de 2016 que levou ao desarmamento da guerrilha das FARC, julga as violações mais graves de direitos humanos cometidas durante o conflito de meio século por atores armados.