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Restrição de Trump a Padilha é similar à imposta sobre ministro do Irã

Medida impede que o petista estenda a viagem a Washington, como pretendia, para participar de reunião da Organização Pan-Americana da Saúde; prazo estabelecido pela Casa Branca dificulta recurso

Felipe Cerqueira

Visita ao Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB) para acompanhar a execução do “Dia E” – Ebserh em Ação: Mutirão Nacional para Redução das Filas do SUS
54783298532_c5df0f5442_k Ricardo Stuckert/PR

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, recebeu do governo dos Estados Unidos autorização para viajar a Nova York, mas com restrições de circulação semelhantes às que já foram aplicadas a chanceleres iranianos em edições anteriores da Assembleia Geral da ONU. Padilha poderá se deslocar apenas entre o aeroporto, o hotel, a sede da ONU, a Missão Permanente do Brasil e a residência oficial do embaixador brasileiro, onde também ficará hospedado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A medida também vale para familiares do ministro.

Na prática, isso impede que Padilha estenda a viagem a Washington, como pretendia, para participar de reunião da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). O Itamaraty ainda avalia se apresentará recurso ao Departamento de Estado. O governo americano abriu a possibilidade de pedido de “isenção justificada”, mas exige antecedência mínima de dois dias úteis, prazo que inviabiliza a participação do ministro na comitiva de Lula, que embarca no próximo domingo (21).

Restrições desse tipo não são inéditas. Em 2019 e 2023, os chanceleres iranianos Mohammad Javad Zarif e Hossein Amir-Abdollahian enfrentaram limitações semelhantes, podendo circular apenas por poucos quilômetros em torno da ONU e da missão de seu país. Autoridades de Cuba, Síria, Venezuela, Rússia, China e Coreia do Norte também já protestaram contra as regras.

Os Estados Unidos alegam razões de segurança e sustentam que o acordo assinado em 1947 para sediar a ONU em Nova York não garante liberdade irrestrita de deslocamento, mas apenas o acesso às atividades oficiais da entidade. O Brasil, embora não seja membro da comissão da ONU que trata das relações com o país anfitrião, manifestou-se recentemente contra essas práticas.

Diplomatas ouvidos em Brasília classificaram a decisão como uma provocação do governo Trump e um gesto de hostilidade contra um aliado ocidental. Segundo interlocutores, o caso é ainda mais sensível porque Padilha é associado ao programa Mais Médicos, que, em seus primeiros anos, enviava parte dos recursos para Cuba — ponto de atrito com setores conservadores dos EUA.

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Para o governo brasileiro, a medida soma-se a outras dificuldades recentes, como a demora na concessão do visto ao ministro e o anúncio americano de restrições à delegação palestina. A leitura em Brasília é de que a decisão tem também um componente ideológico e político interno, em sintonia com a base eleitoral de Trump, especialmente entre cubano-americanos na Flórida.

*Com informações do Estadão Conteúdo
Publicado por Felipe Cerqueira

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