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Trump anuncia tarifas de 25% para países que comprarem petróleo e gás da Venezuela a partir de abril

Medida entrará em vigor em 2 de abril; segundo o magnata, a tarifa secundária será aplicada por diversas razões, sendo uma delas gangue Tren de Aragua, que designou como organização terrorista ao retornar à Casa Branca em 20 de janeiro

Sarah Américo

O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa no último dia da Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), em National Harbor, Maryland
Last day of the Conservative Political Action Conference (CPAC) SAMUEL CORUM/EFE/EPA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou, nesta segunda-feira (24), que vai impor tarifas alfandegárias de 25% a todos os países que comprarem petróleo ou gás venezuelano a partir de 2 de abril em suas transações comerciais com os Estados Unidos. “A Venezuela tem sido muito hostil aos Estados Unidos e às liberdades que defendemos”, insiste Trump em sua mensagem. “Portanto, qualquer país que compre petróleo ou gás da Venezuela será obrigado a pagar uma tarifa alfandegária de 25% aos Estados Unidos sobre qualquer comércio que fizer com nosso país”, alerta. A medida “entrará em vigor em 2 de abril”. Essa “tarifa secundária” será aplicada “por diversas razões”, disse o magnata. “A Venezuela enviou de forma deliberada e enganosa dezenas de milhares de criminosos de alto escalão e outros tipos para os Estados Unidos, muitos dos quais são assassinos e pessoas de natureza muito violenta”, reclamou. Ele cita como exemplo a gangue Tren de Aragua, que designou como organização terrorista ao retornar à Casa Branca em 20 de janeiro.

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“Estamos em processo de devolvê-los”, acrescentou Trump, cujo governo desafiou o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, a repatriar cidadãos em situação irregular nos Estados Unidos se quiser evitar “sanções rígidas”, nas palavras do chefe da diplomacia, Marco Rubio. “Esse não é um tema de debate nem de negociação. Também não merece recompensa alguma”, avisou Rubio na semana passada. A Venezuela é o terceiro maior fornecedor de petróleo para os Estados Unidos, atrás do Canadá e México, com 296.000 barris diários (bd) em dezembro de 2024, segundo a Administração de Informação Energética (EIA, em sua sigla em inglês). Segundo o Financial Times, “a Venezuela exportou 660.000 barris diários de petróleo para todo o mundo no ano passado, com China, Índia e Espanha entre os principais compradores”.

Há algumas semanas, descontente com o mandatário venezuelano, Nicolás Maduro, pelo ritmo de voos de repatriação de seus nacionais, o magnata republicano revogou a licença que permitia a petroleira Chevron a operar na Venezuela. Ele deu prazo até 3 de abril à petroleira americana Chevron para liquidar suas operações no país caribenho, que prevê suas consequências no mercado. Desta forma, Trump alonga a lista de tarifas aduaneiras previstas para essa data, sobretudo as chamadas tarifas “recíprocas”, que consistem igualar dólar a dólar as tarifas impostas aos bens americanos no exterior. Será o “Dia da Libertação” dos Estados Unidos, repete Trump diariamente.

Conflito antigo 

VENEZUELA-INAUGURATION-MADURO

Maduro cortou relações diplomáticas com Washington em 2019, durante o primeiro mandato de Trump.│Juan BARRETO / AFP

A tensão entre Caracas e Washington aumentou há alguns dias, depois que os EUA invocaram uma lei de guerra de 1798 contra o Trem de Aragua e enviaram 238 venezuelanos para El Salvador para serem encarcerados em uma mega prisão. O governo venezuelano chama isso de sequestro. Maduro cortou relações diplomáticas com Washington em 2019, durante o primeiro mandato de Trump. Seu sucessor, o democrata Joe Biden, manteve contatos ocasionais para facilitar a realização de eleições presidenciais em julho de 2024, que acabaram afetadas por fraude, segundo Washington e muitos países.  Trump, assim como Biden, apoia o líder da oposição venezuelana exilado Edmundo González Urrutia, que reivindica a vitória nas eleições de julho e compareceu à sua posse em 20 de janeiro.

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*Com informações da AFP
Publicado por Sarah Paula