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Ucrânia e Rússia reivindicam avanços na região russa de Kursk

No maior ataque de um exército contra o solo russo desde a Segunda Guerra Mundial, o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, disse que suas forças haviam tomado Sudzha, cidade com 5.500 habitantes

Felipe Cerqueira

Ucrânia afirmou nesta quinta-feira (15) que suas tropas obtiveram novos avanços na Rússia e já controlam mais de 1.000 km² do território russo, enquanto Moscou declarou que havia recuperado um vilarejo tomado pelas forças de Kiev e que enviaria reforços para a área. No maior ataque de um exército contra o solo russo desde a Segunda Guerra Mundial, o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, disse que suas forças haviam tomado Sudzha, cidade com 5.500 habitantes e maior localidade desde o início da surpreendente incursão, a 8 km da fronteira.”Desde o início das operações na região de Kursk, nossas tropas avançaram 35 quilômetros para o interior” e tomaram “82 localidades” em uma área de 1.150 km², acrescentou ele, em uma reunião com o chefe do Exército ucraniano, Oleksandr Sirski.

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Este ataque em grande escala quebrou uma sequência de vários meses de reveses das tropas da Ucrânia, que enfrenta uma invasão russa há dois anos e meio.

O general Sirski indicou que suas tropas estabeleceram uma administração militar na região de Kursk, “para manter a lei e a ordem e atender às necessidades prioritárias da população nos territórios controlados”.

Mais de 120.000 russos deslocados

Dezenas de pessoas prestaram homenagem nesta quinta-feira (15) em uma igreja ortodoxa de Sumy, do lado ucraniano da fronteira, a seis de seus militares mortos na ofensiva. Os familiares das vítimas foram consolados por amigos e parentes, enquanto o sacerdote entoava uma missa fúnebre em uma cerimônia com muitas coroas de flores e queima de incenso. “É tão difícil se despedir, porque queremos que vivam para sempre, que vivam entre nós como filhos honrados de sua pátria”, disse o sacerdote.

Ao final dos sepultamentos, que foram acompanhados por um coro, as sirenes antiaéreas lembraram que a guerra continuava. Em Kursk, jornalistas viram cerca de 500 evacuados das áreas de fronteira formando uma fila frente a uma distribuição de comida e roupas organizada pela Cruz Vermelha Russa. Moscou afirma que mais de 120.000 pessoas foram deslocadas pelo ataque e pelos combates. Os confrontos mataram pelo menos 12 civis e 121 ficaram feridos, de acordo com as autoridades russas, que não atualizam o balanço desde segunda-feira. Moscou enviou reforços para a área e para a região de Belgorod e anunciou a reconquista de um vilarejo em Kursk.

As forças russas “retomaram o vilarejo de Krupets” e “continuam freando” os ataques ucranianos na região de Kursk, informou o Exército em um comunicado.

O Exército russo também preparou “ações concretas” para defender a região de Belgorod, declarou o ministro russo da Defesa, Andrei Belusov, em uma reunião com oficiais, incluindo o governador dessa região, Vyacheslav Gladkov. Tanto a região de Kursk quanto a de Belgorod haviam sofrido pequenas incursões desde que o presidente russo, Vladimir Putin, lançou a invasão da Ucrânia em fevereiro de 2022. A Ucrânia, no entanto, nunca havia realizado um ataque de tamanha magnitude.

 Ataques intensos

Kiev argumenta que a ofensiva é necessária para sua “autodefesa” e especialistas sugerem que pode se tratar de uma tentativa de aliviar a pressão no front leste. Apesar disso, as tropas ucranianas ainda enfrentam dificuldades na região do Donbass, que Moscou busca conquistar. Pelo menos cinco pessoas morreram em bombardeios russos no leste e no sul da Ucrânia, anunciaram as autoridades locais nesta quinta-feira (15). Duas morreram na região de Kharkiv, no nordeste, outra na de Donetsk, no leste, e mais duas em Kherson, no sul.

“A maioria dos ataques russos ocorre no leste do Donbass”, afirmou Zelensky. As tropas russas informaram nesta quinta-feira sobre a captura de Ivanivka, uma localidade ucraniana situada na linha de frente e a apenas 15 km da cidade de Pokrovsk, crucial para o suprimento das forças ucranianas. O Exército russo avança há meses em direção a Pokrovsk.

 

*Com informações da AFP

Publicado por Tamyres Sbrile

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