Aldemir Bendine, do BB, será o novo presidente da Petrobras no lugar de Foster

  • Por Reuters
  • 06/02/2015 11h14

O presidente do Banco do Brasil Simon Plestenjak/Folhapress O presidente do Banco do Brasil

O atual presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, será o novo presidente-executivo da Petrobras, após o pedido de demissão de Maria das Graças Foster nesta semana, disseram à Reuters três fontes do governo a par do assunto nesta sexta-feira.

Bendine, funcionário de carreira do BB, está à frente do maior banco da América Latina desde 2009. Sob seu comando, a instituição estatal liderou uma ofensiva do governo petista para ampliar a oferta de crédito e baixar os juros, para atenuar os efeitos da crise financeira global na economia brasileira.

Por ser bastante alinhado às políticas do atual governo, a colocação de Bendine na liderança da Petrobras frustra expectativas de investidores e analistas de que o novo líder da petroleira viesse do mercado.

A escolha também indica as dificuldades que Dilma teve para costurar a sucessão na Petrobras de forma súbita, com a saída repentina de Graça Foster, como ela prefere ser chamada, e de cinco diretores da companhia.

O Conselho de Administração da Petrobras se reúne nesta sexta para eleger um nome indicado pela Presidência da República para ocupar a cadeira de presidente-executivo da petroleira, que está no centro de um escândalo bilionário de corrupção.

Após a notícia de que Bendine assumirá a Petrobras, as ações da empresa tinham forte queda. Às 10h50, as preferenciais e as ordináras recuavam mais de 5 por cento. O Ibovespa tinha desvalorização de 1,5 por cento.

“O Bendine é uma pessoa muito identificada com a primeira gestão do governo Dilma. O BB foi absolutamente comandado pelo governo na primeira gestão e a Petrobras precisaria de alguém mais independente, que peitasse o governo em determinadas situações e não fizesse loteamento de cargos”, disse à Reuters o sócio da Órama Investimentos Álvaro Bandeira, no Rio de Janeiro.

Para Bandeira, nomes que vinham circulando na mídia para a Petrobras, como o de Murilo Ferreira, presidente da Vale, e o de José Carlos Grubisich, ex-presidente da Braskem, seriam opções melhores. “Pesa por não ser alguém do setor, mas pesa mais por ser identificado com a primeira gestão de Dilma”, afirmou.

O novo comando da empresa terá entre seus desafios iniciais a regularização da publicação das demonstrações financeiras da estatal. Isso em meio à apuração de um escândalo de corrupção que exigirá que a companhia realize baixas contábeis bilionárias de ativos sobrevalorizados.

RENÚNCIA COLETIVA

A renúncia de seis altos executivos da Petrobras na quarta-feira surpreendeu autoridades em Brasília, que previam uma mudança na diretoria da estatal apenas no fim do mês.

Na terça-feira, Dilma aceitou o pedido de demissão de Graça Foster, mas tinha acertado a permanência da executiva no cargo por mais algumas semanas. Mas outros cinco diretores da Petrobras não aceitaram ficar por mais tempo, precipitando a saída também de Graça Foster.

Já bastante desgastados, os diretores da Petrobras que estão deixando os postos não quiseram mais ser diretamente associados ao escândalo de corrupção, o maior da história do país, sem denúncias de que teriam envolvimento no sobrepreço de contratos para beneficiar ex-funcionários, executivos de empreiteiras e políticos.

Procurada, a Petrobras informou que não comentaria a informação de que Bendine será o novo presidente da estatal e disse que qualquer comunicação oficial será feita através da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Por Jeferson Ribeiro e Luciana Otoni (Reportagem adicional de Priscila Jordão, em São Paulo)

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