Atos de Bolsonaro acabam com dúvidas sobre narrativas de golpe, diz líder do governo no Senado
As recentes mudanças na equipe do governo federal buscam, sobretudo, ampliar a base de apoio e o “cacife” do presidente Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados. A avaliação é do líder do governo no Senado Federal, Fernando Bezerra Coelho (MDB). Para o parlamentar, as alterações vão impulsionar o avanço da agenda do governo no Congresso Nacional. “Faltaram seis votos para quórum de votação da PEC Emergencial [na Câmara], que terminou sendo desidratada com relação ao texto que saiu do Senado. Essa mexida na equipe reforça apoio político na Câmara, fortalece o poder político e se aproxima dos partidos do Centro para fazer avançar agenda de reformas”, disse em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, nesta quarta-feira, 31. “A mexida nos ministérios é para reforçar o cacife do presidente, sobretudo na Câmara, para que ele possa dar velocidade para as reformas, para a sua agenda e possa retomar investimento no Brasil, que vão gerar empregos e renda.”
Fernando Bezerra Coelho citou a inquestionável prerrogativa do presidente quanto às mudanças nos ministérios, lembrando que o chefe do Executivo tem “legitimidade conferida da eleição popular”. “Não pode discutir as prerrogativas do presidente para promover as mudanças que se façam necessárias na sua equipe na visão que ele tem daquilo que deve melhorar, no sentido de resgatar o seu comando, a sua autoridade, no sentido de aperfeiçoar as áreas que ele identifique que estão defendo do ponto de vista do atendimento dos reclamos da população. A prerrogativa da composição da equipe ministerial é 100% do presidente da República. Assim como pode mexer no ministro-chefe da Casa Civil, do ministro da Justiça, ele também poderá dispor dos cargos do ministro da Defesa e daqueles que compõe o comando das Forças Armadas, que integram o ministério.”
Ao ser questionado sobre uma possível intenção do presidente em aparelhar um golpe militar no país, o senador minimizou a possibilidade e ressaltou o compromisso de Bolsonaro com a democracia. “Os atos do presidente tiram qualquer dúvida sobre essas narrativas, produzidas com objetivos políticos e ideológicos. O presidente, recentemente, ele convocou reunião com chefes dos poderes Legislativo, Judiciário, Executivo, com presidentes de instituições como a Procuradoria-Geral da República (PGR), a presença de governadores, criou comitê de coordenação e centralização das ações de planejamento para enfrentamento à pandemia. O presidente tem reiterado seu compromisso com o regime democrático. Mas é evidente que ele tem visões que, por vezes, podem gerar ruídos e debates acalorados, mas o presidente tem reiterado seu objetivo de se submeter ao julgamento popular, de submeter a sua administração à apreciação dos brasileiros.”
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