Boko Haram exige libertação de militantes em troca de meninas sequestradas

  • Por Agencia EFE
  • 12/05/2014 14h13
  • BlueSky

Lagos, 12 mai (EFE).- A seita radical islâmica Boko Haram exigiu nesta segunda-feira a libertação de militantes presos para pôr fim ao sequestro das mais de 200 meninas capturadas há um mês no norte da Nigéria, onde forças estrangeiras começaram a colaborar para o resgate das vítimas.

A condição foi anunciada pelo líder da seita, Abubakar Shekau, em um vídeo divulgado pela imprensa local, no qual assegurou também que as meninas, a maioria cristã, foram convertidas ao islamismo.

As imagens, divulgadas em Maidiguri, capital do estado de Borno (onde ocorreu o sequestro), mostram dezenas de meninas aparentemente recitando fragmentos do Corão, fazendo declarações de fé e vestidas com o hiyab (vestimenta feminina islâmica).

Shekau, que há alguns dias ameaçou vender as meninas como escravas, mostrou-se disposto a negociar uma troca pelos insurgentes presos pelas forças de segurança nigerianas.

“Tudo o que digo é que, se querem que libertemos as meninas, precisam que libertem nossos irmãos que estão presos por todo o país”, diz o líder islamita, segundo a transcrição realizada pelo jornal “Daily Truste”.

Após fortes críticas pela suposta passividade do governo diante do sequestro das estudantes, e em meio a uma campanha internacional por sua libertação, forças estrangeiras começaram a colaborar com uma operação para encontrá-las e resgatá-las.

Neste fim de semana, analistas militares dos Estados Unidos e do Reino Unido, entre outros países, realizaram sua primeira reunião operacional em Abuja com altos comandantes do exército da Nigéria, informou o jornal local “The Punch” citando fontes de segurança nacional.

A operação começará recolhendo informação dos serviços de inteligência e incluirá o desdobramento de equipes de alta tecnologia para um possível ataque militar contra os insurgentes.

Serão empregados drones (aviões não tripulados) e sensores remotos com capacidade para penetrar nos edifícios e detectar seres humanos e, inclusive, diferenciar entre adultos e crianças.

“O processo será rápido e preciso, embora o resgate das reféns continua sendo a operação militar mais delicada”, advertiram as fontes.

Um dos principais obstáculos no desenvolvimento da operação conjunta seria a colaboração entre os insurgentes e as comunidades locais.

O governo britânico reagiu ao vídeo de hoje sublinhando “o horror e a barbárie” do delito cometido pelo Boko Haram e frisando a necessidade de se “trabalhar e ajudar as autoridades nigerianas para conseguir a libertação das meninas”.

Além disso, a União Europeia (UE) condenou o sequestro e exigiu a “libertação imediata e incondicional das estudantes e que os responsáveis sejam julgados”, segundo os ministros europeus das Relações Exteriores afirmaram em um relatório aprovado em conselho realizado em Bruxelas.

A UE se declarou “profundamente preocupada” pelos recentes ataques terroristas no norte da Nigéria e “consternada” pelo sofrimento causado na população.

“O conselho condena energicamente o assassinato indiscriminado de centenas de civis e o sequestro de mais de 200 estudantes no estado de Borno”, afirmaram os ministros.

As meninas foram sequestradas em 14 de abril de uma escola secundária em Chibok, em Borno, bastião do grupo fundamentalista.

O Boko Haram, que significa em língua local “a educação não islâmica é pecado”, luta para impor a “sharia” (lei islâmica) na Nigéria, país de maioria muçulmana no norte e predominantemente cristão no sul.

Desde que a polícia matou 2009 o então líder do Boko Haram, Mohammed Yousef, os radicais mantêm uma sangrenta campanha que deixou mais de três mil mortos.

A Nigéria é o país mais populoso da África, com 170 milhões de habitantes integrados em mais de 200 grupos tribais. EFE

da-jmc/dk

  • BlueSky

Comentários

Conteúdo para assinantes. Assine JP Premium.