Alvo de operação contra Banco Master atenta contra própria vida

Luiz Phillipe Mourão foi preso sob suspeita de coordenar grupo que acessou indevidamente sistemas sigilosos da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e da Interpol

  • Por Júlia Mano e Mell D'Agostini
  • 04/03/2026 18h26 - Atualizado em 04/03/2026 18h27
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Divulgação/Banco Master Banco Master O caso do Banco Master é um dos mais graves do sistema financeiro brasileiro

A Polícia Federal (PF) comunicou nesta quarta-feira (4) que Luiz Phillipe Mourão “atentou contra a própria vida”, enquanto estava custodiado na Superintendência Regional de Minas Gerais. Ele foi um dos alvos da terceira fase da Operação Compliance Zero, que apura supostas fraudes envolvendo o Banco Master.

Mais cedo, nesta quarta-feira, Mourão foi preso preventivamente por suspeita de integrar grupo que acessou indevidamente sistemas sigilosos da PF, do Ministério Público Federal e da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol, na sigla em inglês). Ele e outros alvos da operação teriam corrompido dois servidores do Banco Central.

Também foram detidos pela PF:

De acordo com investigação da PF, Zettel é apontado como operador financeiro responsável por repassar os pagamentos do Master aos integrantes do grupo intitulado “A Turma” e a servidores públicos. Luiz Phillipi Mourão seria o coordenador operacional do esquema. Já Marilson Roseno da Silva teria composto a estrutura de monitoramento.

Além das prisões, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o afastamento dos investigados de cargos públicos e o bloqueio de bens que podem chegar a R$ 22 bilhões. O objetivo da medida é interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo e preservar os valores que possam ter relação com as ações sob investigação.

Prisão de Vorcaro

Após pedido da PF, o relator do caso do Banco Master no STF, ministro André Mendonça, determinou a prisão preventiva de Vorcaro. O relator do caso do Master no STF disse que a decisão se deu para “prevenir possíveis condutas ilícitas contra a integridade física e moral de cidadãos comuns, de jornalistas e até de autoridades públicas”.

Em mensagens interceptadas pela PF, houve conversas entre Vorcaro e Mourão sobre agressões. O banqueiro chegou a escrever que queria mandar “dar um pau” no jornalista Lauro Jardim, d’O Globo. O dono do Master também disse ter que “moer” a empregada.

Entenda o caso Master

Após identificar indícios de irregularidades financeiras e a grave crise de liquidez, o Banco Central determinou, em 18 de novembro, a liquidação extrajudicial do Banco Master S/A, do Banco Master de Investimentos S/A, do Banco Letsbank S/A e da Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários.

Em 21 de janeiro, o Will Bank, braço digital do conglomerado de Vorcaro, também teve o seu encerramento forçado.

O processo de liquidação do Banco Master foi acompanhado da Operação Compliance Zero. Também em 18 de novembro, a PF deflagrou a primeira fase da ação para combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições que integram o Sistema Financeiro Nacional (SFN). Diante da possibilidade de fuga, Vorcaro foi preso um dia antes. O banqueiro foi solto depois com o uso de tornozeleira eletrônica.

Segundo as investigações, o Banco Master oferecia Certificados de Depósitos Bancários (CDB) com rentabilidade muito acima do mercado. Para sustentar a prática, a instituição financeira passou a assumir riscos excessivos e estruturar operações que inflavam artificialmente o seu balanço financeiro, enquanto a liquidez se deteriorava.

Os episódios do Banco Master e da gestora de investimentos Reag, liquidada em 15 de janeiro, são os mais graves do sistema financeiro brasileiro. Os casos envolvem, além das fraudes, tensões entre o STF e o Tribunal de Contas da União (TCU), bem como com o Banco Central e a PF.

Em 17 de janeiro, Fundo Garantidor de Crédito (FGC) iniciou o processo de ressarcimento aos credores do Banco Master, Banco Master de Investimento e Banco Letsbank. O valor total a ser pago em garantias soma R$ 40,6 bilhões.

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